É o segundo vazamento de óleo no intervalo de um mês que atinge a Reserva Alto Tarauacá
As duas balsas que naufragaram no dia 21 de abril com máquinas que ainda estão dentro do Rio Tarauacá levavam um carregamento de 200 mil litros de óleo para a empresa geradora de energia em Jordão. Estima-se que pelo menos 100 mil litros de óleo foram derramados dentro do rio. O desastre aconteceu no local chamado Seringal Mato Grosso e segundo o presidente da Associação de Seringueiros e Agricultores da Reserva Alto Tarauacá, Daniel Lima, o problema atingiu os moradores da Reserva.
“Estamos vivendo este problema com frequência. É a segunda vez que os moradores da Reserva Alto Tarauacá sofrem com o derramamento de óleo no Rio Tarauacá.
A primeira vez aconteceu cerca de um mês antes deste de agora e nenhuma providência foi tomada. Eu comuniquei o ICMBio. O pessoal que transporta o óleo para o Jordão não tem equipamento que impeça o óleo de se espalhar. E por onde o óleo se espalha os peixes somem. O peixe é o principal alimento dos ribeirinhos. É do Rio que o pessoal tira o sustento”, reclama Daniel Lima.

Moradores da Reserva confirmam o derramamento e dizem que teve gente que chegou a pegar entre 200 a 300 litros de óleo. Outro confirma que consumiu peixe com gosto de óleo.
A área em questão é de responsabilidade da gestão de Jordão. O prefeito de Jordão, Naudo Ribeiro (PP), disse que não tem conhecimento sobre o óleo derramado: “não era óleo, as balsas transportavam máquinas para o município. A empresa que transporta está tomando as providências. Sobre combustível é uma questão da empresa geradora de energia com a transportadora”, disse ele.
Entretanto, moradores dizem que o prefeito Naudo Ribeiro acompanhou o embarque das máquinas em Tarauacá. Dificilmente não saberia que junto com os equipamentos estava sendo transportado óleo. De acordo com informações, as balsas naufragaram por excesso de peso. As máquinas são de propriedade da Prefeitura de Jordão fruto de emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão e ainda estão dentro do Rio Tarauacá.
Em entrevista à imprensa local, o prefeito Naudo Ribeiro reconheceu que acidentes como este do dia 21, não são incomuns na rota Tarauacá/Jordão, “inclusive com o registro de óbitos”.
O apontado como proprietário das balsas é o empresário tarauacaense Raimundinho Damasceno. E a empresa afirma ter um sistema de emborrachamento que impede o derramamento de óleo.
No Jordão, os moradores da zona urbana não sofrerão limitações no fornecimento de energia porque segundo informações o estoque de 470 mil litros de combustível é suficiente para abastecer a cidade por três a quatro meses. Mas o problema vai além. Moradores do Jordão afirmam que a empresa BBF (Brasil Bio Fuels) responsável pela geração de energia no município utiliza biocombustível mas alugou os motores geradores da Aggreko, numa transação nunca devidamente explicada. Em sua página, a BBF afirma que sua atuação é no agronegócio sustentável desde o cultivo da palma de óleo, produção de biocombustíveis, biotecnologia e geração de energia renovável.
A Aggreko, com sede na Escócia, é líder mundial em refrigeração industrial e aluguel de energia com cobertura em todo o Brasil dentre outros 100 países.
Sobre o desastre ambiental ninguém se pronuncia.
A Secretaria de Meio Ambiente do Jordão não se manifestou.
Procurada, a Secretária de Meio Ambiente do Acre, Julie Messias, não respondeu.
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