Escolas cívico-militares e a antieducação

Escolas cívico-militares e a antieducação

O efeito disso será o surgimento de uma legião de jovens doutrinados, fanatizados e intolerantes à diferença

Vejo, assombrado, a expansão desse modelo de escolas. Para mim, claramente uma das estratégias de avanço dos fascistas sobre mentes e corpos; neste caso, de crianças e adolescentes, em um movimento que é seminal, gerador de um processo de atraso da pedagogia do aprendizado libertador do conhecimento.

A imposição desse “modelo” de educação é grave. Digo imposição, porque esse sistema vai acabar por engolir as escolas como conhecemos hoje. Já há relatos de famílias que não conseguem optar por outro modelo de escola.

No Paraná e em São Paulo essas escolas já são uma realidade, se encontram em franca expansão e vão atingir preferencialmente as famílias mais pobres e carentes. Tudo sob a falácia da excelência do ensino – que as estatísticas desmentem, já que nem de longe as escolas militarizadas alcançam os melhores resultados no ENEM. Não poderia ser diferente, já esse modelo de “educação” rejeita e pune qualquer construção crítica, tudo em nome da disciplina e da obediência. Ou seja, o que se pretende ali são alunos alienados, moldados para a negação da vontade individual. O efeito disso será o surgimento de uma legião de jovens doutrinados, fanatizados e intolerantes à diferença. E diga-se, tudo isto a um custo muito maior aos cofres públicos do que qualquer outro modelo de escola.

Não posso deixar de destacar, caro leitor, que os políticos de direita e extrema-direita, principalmente dos estados do sul e sudeste do país, usam esses projetos pra se capitalizar num tema que mobiliza os afetos das pessoas: a perspectiva de ordem, numa realidade de disrupção. Ou seja: o mundo está em convulsão, os “valores tradicionais” valem cada dia menos, para o terror dos conservadores e a “solução” apresentada é uma antieducação baseada na disciplina cega, que mata o pensamento, fomenta o autoritarismo e cria “corpos dóceis” aos interesses antidemocráticos. Pelo que vemos, esse discurso cola. Infelizmente.

A militarização da educação é uma receita de sucesso para que a extrema-direita se capitalize politicamente. Some-se tudo isso ao discurso de segurança pública que, segundo as pesquisas, é o tema que mais preocupa o brasileiro. Mais que saúde, mesmo após os anos de pandemia; mais do que o meio ambiente, mesmo em meio a catástrofes climáticas escancaradas diante de nós; mais do que emprego e renda. Eis a nossa distopia cotidiana.

O tema da militarização da educação é sensível, é urgente e merece ser debatido com a seriedade necessária.

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Imagem- Gartic

 

 

 

 

 

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