Os gritos racistas e classistas proferidos por estudantes de direito da PUC-SP durante um jogo universitário apontam falhas também na formação dos alunos do curso, afirmou Wallace Corbo, professor de direito da UERJ e FGV-RJ.
Parte da torcida da PUC-SP xingou alunos da USP de “pobres” e “cotistas” durante uma partida de handebol masculino contra estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, nos Jogos Jurídicos Estaduais de São Paulo.
Para Corbo, o ocorrido não reflete apenas opiniões da sociedade brasileira, mas uma brecha no ensino de faculdades de referência que, mesmo sendo prestigiadas, ainda têm a disseminação de ideologias classistas em seu quadro de alunos.
“A sociedade brasileira é marcada por essa desigualdade social e racial e por pessoas que são orgulhosas de ocuparem a posição mais privilegiada nesse espaço. Então, temos os alunos que recebemos, mas temos também um projeto de educação que não está, de fato, nem sempre funcionando. Acho que esses eventos mostram que existe uma falha muito grave no ensino jurídico, que permite que jovens que estejam com um, dois anos de faculdade, ainda se valham desses instrumentos classistas e racistas para se ofenderem
Após a repercussão dos vídeos e a identificação dos alunos que fizeram as ofensas, ao menos dois escritórios de advocacia disseram ter demitido os estagiários que apareciam nas imagens. Para ele, esse movimento também é representativo e não aconteceria há 10 anos.
Via UOL
Imagem- Esquerda online
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