Facções criminosas realizam licitação para provedores de internet

Facções criminosas realizam licitação para provedores de internet

Moradores receberam mensagens que uma empresa ganhou a licitação do CV para atender a área

A facção carioca Comando Vermelho (CV) avançou no controle do provedor de internet no Ceará e proibiu o acesso de empresas a algumas regiões, na Capital e no Interior.

Segundo O Diário do Nordeste, moradores de pelo menos quatro bairros de Fortaleza – Carlito Pamplona, Farias Brito, Pirambu e Sapiranga,  ficaram sem internet porque a facção que domina a região proibiu a entrada de funcionários das empresas para corrigir problemas técnicos ou realizar novas instalações elétricas. Prática criminosa que é registrada no estado pelo menos desde 2020. Dois veículos de operadoras de internet pegaram fogo em Fortaleza, no mês de fevereiro. A polícia suspeita de incêndio criminoso.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que realiza investigações e diligências que  transcorrem sob segredo de Justiça.

O sociólogo Luiz Fábio Paiva, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), analisa que “as facções têm se movimentado, de fato, na perspectiva do controle territorial. Esse controle, durante muitos anos, foi associado ao tráfico de drogas e de armas, mas o que a gente observa hoje é uma gestão de outros negócios, relacionados a água, internet, comércios, e esquemas de lavagem de dinheiro que, muitas vezes, estão estruturados nesse próprio processo de controle de determinados negócios regulares”.

Um morador do bairro Carlito Pamplona, que pediu para não ser identificado, contou que ficou sem internet por cerca de três dias, porque as fiações foram cortadas por criminosos. Depois, o serviço foi normalizado. Entretanto, vizinhos foram proibidos de usar outra operadora. A facção que atua na região estaria exigindo que os moradores contratassem uma certa empresa.

Morador do bairro Farias Brito ficou sem internet por 9 dias. Ao questionar provedora Brisanet sobre o motivo da demora do restabelecimento do serviço, recebeu a resposta através de uma rede social, que “foi confirmado com o setor responsável que de fato não será possível realizar mais nenhum atendimento na sua localidade. Justamente por não liberarem a entrada da nossa equipe”.

No bairro Sapiranga a informação obtida da provedora para a suspensão do serviço foi que a empresa estava proibida de trabalhar na região.

Ameaças a empresários

Moradores do bairro Pirambu receberam mensagens que “a empresa que ganhou a licitação do CV para atender a área com serviço de internet já irá repassar a taxa extra para o consumidor”. O valor da conta irá aumentar R$ 10, a partir do mês de março. Fontes ouvidas pela reportagem explicaram que a “licitação” é um valor pago por empresas às facções para ter autorização para atuar nas regiões.

Empresários, proprietários de operadoras de internet, foram ameaçados e obrigados a pagar um valor para criminosos, para serem autorizados a funcionar em cidades da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), como Caucaiae São Gonçalo do Amarante; e do Interior do Estado, como Sobral.

Fonte do Diário do Nordeste da Inteligência da SSPDS afirmou que “os empresários das operadoras estão desesperados. Um perdeu três mil clientes e outro, mil clientes. Na região do Pecém, na Caucaia, estão rolando ameaças. No Pirambu, Quintino Cunha, está acontecendo isso de ‘licitação’. Eles (empresários) não querem se render aos traficantes, porque entendem que assim vão se aliar à organização criminosa e que, depois, se não pagarem, podem até ser mortos”.

A Polícia Civil reforçou “a importância do registro de Boletim de Ocorrência (BO), por meio do qual podem ser repassadas informações que contribuam para as investigações policiais.

 

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