Desmatamento contribui para as mudanças climáticas e expandem os vírus
“A nova linhagem do oropouche chegou ao Sudeste no início de 2024 e, em dois meses, já havia muitos casos. O vírus encontrou um nicho ecológico favorável e se espalhou rapidamente, criando ainda outras sublinhagens”, explica o chefe do Laboratório de Arbovírus e Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coautor dos dois estudos, Felipe Naveca.
Acre é destacado como área de alta concentração de casos e intensa transmissão viral
As novas pesquisas também identificaram múltiplas introduções independentes do vírus no Espírito Santo, vindas de diferentes regiões da Amazônia, o que reforça o potencial de expansão da arbovirose para outras áreas do Sudeste.
A pesquisa constatou ainda que a velocidade de transmissão é rápida, pois em apenas onze semanas, o Oropouche atingiu um número de casos semelhante ao da dengue e Chikungunya, uma vez que uma pessoa infectada pode transmitir a doença a outras três.
Já no Rio de Janeiro, onde foram confirmados 1,5 mil casos entre janeiro de 2024 e maio deste ano, o epicentro da transmissão foi o município de Piraí, no Sul Fluminense. De lá, o vírus se espalhou para a Região Metropolitana e o Norte Fluminense, atingindo principalmente municípios pequenos localizados em áreas de Mata Atlântica.
A sublinhagem predominante em território fluminense é o OROVRJ/ES, presente tanto no Rio de Janeiro quanto no Espírito Santo.
“Desmatamento e alterações no regime de chuvas intensificaram a abundância de vetores na Amazônia e criaram zonas de dispersão, como o sul do Amazonas, Acre e norte de Rondônia — que se tornaram áreas com alta concentração de casos e intensa transmissão viral”, conclui Naveca. As informações são do GGN
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