Jorge Beltrão Negromonte é condenado a mais de 70 anos de prisão por participar de uma série de assassinatos com requintes de crueldade e canibalismo mas o homem que chocou o país ao vender empadas recheadas com carne humana em Garanhuns (PE) agora reaparece em vídeo como pastor evangélico, pregando dentro da penitenciária onde cumpre pena e é apresentado por religiosos como “um exemplo de transformação”. Ao microfone improvisado, ele cita versículos bíblicos, fala de sua conversão e relembra o momento em que, ainda em 2012, um missionário lhe disse que “Deus tinha um plano para ele”.
Segundo o defensor dele. o assassino recusa progressão de pena: “Ele me disse com todas as letras: ‘Se eu sair, volto a matar’”. O temor, segundo o próprio Jorge, é duplo: teme tanto uma recaída motivada por esquizofrenia — condição médica diagnosticada por perícia — quanto ser morto por vingança ao retomar a vida fora das grades. “Ele acredita que vai escutar as vozes de novo. Disse que, se descobrirem quem ele é, vão matá-lo.”
Relembre o caso
O horror veio à tona em abril de 2012, quando Jorge, sua companheira Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva foram presos e denunciados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. A primeira vítima conhecida foi Jéssica Camila da Silva Pereira, de apenas 17 anos. Partes de seu corpo foram encontradas enterradas no quintal da casa da família. Segundo as investigações, a carne da jovem foi usada como recheio de empadas vendidas à população.
A revelação deu origem ao nome “Canibais de Garanhuns”. O caso chamou atenção pela suspeita de motivações ritualísticas e por relatos dos acusados sobre uma seita que pregava a “purificação” por meio do sacrifício humano. Em 2014, o trio foi condenado pelas mortes de Jéssica e, em 2018, pelas mortes de Gisele Helena da Silva, 31, e Alexandra Falcão da Silva, 20.
A pena de Jorge foi ampliada em 2019 para 71 anos e 10 meses. Isabel e Bruna receberam penas de mais de 68 anos cada. Hoje, Jorge está preso na Penitenciária Policial Penal Leonardo Lago, no Complexo do Curado, zona oeste do Recife.
Cego, diagnosticado com esquizofrenia e convencido de que sua vida fora do presídio não teria futuro, Jorge agora se apresenta como pastor. “Muitos não sabem quem é Jorge Beltrão agora”, diz ele ao final do vídeo, como quem tenta se separar da figura que marcou as páginas policiais do Brasil há mais de uma década.
Mesmo sem pedir redução de pena ou tentar reconquistar a liberdade, Jorge volta a gerar debate: é possível crer na mudança de alguém que praticou o impensável? Pode a fé transformar o que a sociedade já considerou irrecuperável? As informações são da Revista Fórum