Igreja Universal toma todos os quartéis da PM de SP com cerimônias e livros de Edir Macedo

Igreja Universal toma todos os quartéis da PM de SP com cerimônias e livros de Edir Macedo

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) atingiu a marca de 20 mil “capelães” atuando dentro de batalhões e unidades das polícias militares e civis em todo o Brasil. Em São Paulo, a UFP, ou Universal nas Forças Policiais, está presente fisicamente no dia a dia de todas guarnições da Polícia Militar, com seus capelães travando contato diário com todos os policiais em ação no estado.

A informação acima foi transmitida, no último dia 10 de fevereiro, pelo pastor Roni Negreiros, ex-major da PM do Maranhão e atual comandante nacional da UFP, na Universal do bairro do Brás, região central da capital paulista, a 2,5 mil novos policiais militares de São Paulo que haviam tido seu batismo na corporação atuando na Operação Verão 2024/2025.

“Nós temos capelães inclusive na Corregedoria e no Presídio Militar Romão Gomes”, disse o comandante Negreiros.

Segundo o DCM, Igreja Universal participa de cursos de formação de policiais e do Exército em pelo menos 10 estados e possui capelães inseridos em batalhões, guarnições, delegacias e campos de treinamento das forças policiais brasileiras. Além disso, a igreja promove eventos como cafés comemorativos para policiais.

A  Cerimônia de Formatura dos Policiais Militares do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência de Diadema, interior de SP, foi realizado em um templo da Igreja Universal, com direito a palestra de pastores e distribuição de livros do bispo fundador da igreja, Edir Macedo.

Um grupo formado por 700 igrejas evangélicas vende bíblias timbradas com o símbolo da PM-SP e realiza seminários em quartéis para cabos, soldados e oficiais da PM-SP.

Por meio da Associação dos Policiais Militares Evangélicos do Estado de São Paulo, essas denominações promovem palestras semanais em, pelo menos, 60% dos quartéis da PM paulista, momentos em que aproveitam para comercializar, por meio de suas lojas físicas e virtual, bíblias personalizadas da PM-SP e dos Bombeiros, livros evangelizadores (inclusive alguns de autoria do bispo Edir Macedo, chefe da Universal) e também o periódico “Pão Diário”, com notícias evangélicas. Tudo por meio de convênios não oficiais de colaboração voluntária das igrejas ao Estado de São Paulo.

 

Igreja Universal toma todos os quartéis da PM de SP com cerimônias e livros de Edir Macedo
Bíblia vendida aos policiais militares, com símbolo oficial da Polícia Militar de São Paulo, da Associação PMs de Cristo (crédito: Arte DCM-Fernando Miller/reprodução)

O emprego do símbolo da PM-SP em um produto que é comercializado por uma entidade privada é um procedimento que contraria o Código Penal, que, em seu Artigo 296, determina:

Art. 296 – Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:

I – selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de Município;

II – selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, ou sinal público de tabelião:
Pena – reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º – Incorre nas mesmas penas:

[…]

III – quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)


O advogado criminalista André Lozano Andrade, membro da Frente Ampla Democrática pelos Direitos Humanos (FADDH), explica: “Os símbolos das corporações públicas não podem ser utilizados para fins particulares, especialmente em produtos postos à venda por entidades privadas. O Código Penal dispõe que tal prática constitui crime. Quem produz e comercializa esta bíblia está incorrendo em crime”.

Por lei as forças de segurança devem ser laicas, mas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é do Republicanos, partido controlado pela Universal do Reino de Deus. Mais informações Aqui

Com tanta religiosidade seria de esperar uma atuação diferente, mas a polícia de São Paulo é considerada a mais letal do Brasil e a mais perigosa do mundo

Em fevereiro de 2025, o jornal britânico “The Sun” publicou uma matéria com o título: “Ruas de Sangue – Por dentro da força policial mais perigosa do mundo, com crianças mortas a tiros, suspeitos jogados de pontes e policiais que ‘querem assassinatos no currículo’”, na qual afirma que a  PM de São Paulo é a “mais perigosa do mundo.

De acordo com o estudo do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública a polícia de SP mata uma pessoa a cada 19 h. Foram 737 pessoas assassinadas pela PM de São Paulo em 2024, um crescimento de 60% em relação a 2023.

Segundo o Metrópoles, a Polícia Militar de São Paulo atirou mais de mil vezes em 459 pessoas desarmadas durante o ano de 2024, e grande parte dos casos foi concentrada na mão de alguns matadores profissionais, impulsionados e fabricados pela corporação. Uma verdadeira indústria de mortes, principalmente nas favelas paulistas. De acordo com a reportagem do Metrópoles, ao menos 403 policiais foram acusados de assassinatos, dos quais 22 mataram mais de uma vez durante o ano de 2024 em 47 das 227 ocorrências da capital paulista. Isso significa que 20,7% dos homicídios policiais ocorreram pelas mãos de um reincidente

A letalidade policial em São Paulo já foi denunciada à ONU. Na ocasião o governador Tarcísio de Freitas declarou que “não estava nem aí” com as denúncias.

 

 

 

 

 

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