Senadores brasileiros se reúnem com multinacionais dos EUA contra tarifaço de Trump

Senadores brasileiros se reúnem com multinacionais dos EUA contra tarifaço de Trump

Uma comitiva de senadores brasileiros realizou nesta terça-feira (29) reuniões estratégicas em Washington D.C. com representantes de grandes corporações estadunidenses que operam no Brasil, em busca de apoio para reverter as tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros. O encontro ocorreu na U.S. Chamber of Commerce, principal entidade empresarial dos Estados Unidos.

Com a Casa Branca mantendo-se fechada a negociações diretas com o governo brasileiro, os parlamentares apostam na pressão do setor privado estadunidense para amenizar o impacto das medidas que entram em vigor em 1º de agosto. Entre as empresas presentes estavam gigantes como Shell, Exxon Mobil, Merck, Johnson&Johnson, Dow, Cargill, Caterpillar, Novelis, IBM e DHL.

“Assim como tem acontecido a outros governos atingidos por tarifa, o Brasil está dependendo dos empresários estadunidenses para abrir canais de negociação com a Casa Branca”, explicou Gabrielle Trebat, diretora de Brasil e Cone Sul da McLarty Associates e ex-funcionária do Departamento do Tesouro dos EUA.

A especialista, com 25 anos de experiência em comércio bilateral, ressaltou que nenhum outro país recebeu taxação tão elevada na recente onda protecionista de Trump.

O petróleo cru lidera as exportações brasileiras para os Estados Unidos, com US$ 2,4 bilhões em vendas no primeiro semestre de 2025, seguido por semi-acabados de ferro e aço (US$ 1,5 bilhão) e derivados de petróleo (US$ 830 milhões). Setores como o farmacêutico demonstram particular preocupação com possíveis retaliações brasileiras que poderiam incluir a quebra de patentes de medicamentos – medida com precedentes históricos no país.

Segundo fontes próximas às negociações, muitas dessas empresas já haviam manifestado preocupação ao governo brasileiro sobre os impactos das tarifas e foram orientadas a levar suas críticas diretamente às autoridades estadunidenses.

A Novelis, que importa alumínio brasileiro, e a Cargill, com forte atuação no agronegócio, estão entre as corporações potencialmente mais afetadas pelas novas barreiras comerciais.

O governo brasileiro mantém cautela sobre possíveis medidas de retaliação, que só devem ser anunciadas após a efetiva implementação das tarifas. As informações são do DCM

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