Investigada pela Controladoria-Geral da União (CGU) no caso que ficou conhecido como a farra do INSS, a Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) tem como sócios dois fundadores de igrejas evangélicas localizadas em Brasília. Entre eles está Dogival José dos Santos, presidente da instituição.
Em setembro deste ano, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI), que apura as fraudes, aprovaram requerimento para convocar Dogival a prestar depoimento no Senado Federal. Na quinta-feira passada (6/11), parlamentares pediram quebra de sigilo bancário e fiscal do de Dogival.


Uma segunda pessoa vinculada à associação dos aposentados do Brasil é Lucineide dos Santos Oliveira, presidente da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus (foto em destaque), localizada no Recanto das Emas, a cerca de 32 km da capital do país.
No nome de Lucineide também constam, na mesma região administrativa, pelo menos outras cinco empresas, são elas: Impacto, R & D Segurança, Solution Serviços de Locação, Expresso Serviços de Publicidade e Prospera Produtos. Os empreendimentos oferecem de comércio varejista a locação de carros e atividades de apoio à agricultura.
Estranhamente, os CNPJs em nome de Lucineide estão localizadas no mesmo endereço de empresas pertencentes a Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer)-outra instituição envolvida na fraude do INSS. Uma das companhias de Samuel, inclusive, supostamente funciona no mesmo lugar em que está a igreja fundada por Lucineide.
Reprodução/ Google Maps
Uma terceira pessoa vinculada à Conafer, identificada como Cícero Marcelino de Souza Santos, também tem empresas funcionando no mesmo endereço dos empreendimentos de Lucineide e Samuel. A Nobre Eventos e a Cunha e Santos Locações não têm chamada na fachada do edifício em que supostamente estariam localizadas, de acordo com documentos lançados na Receita Federal.
Cícero, que chegou a afirmar durante a CPMI que lucrava “uns trocos” com o dinheiro que deveria ser destinado aos beneficiários do INSS, é assessor de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer.
Em 16 de Outubro, durante depoimento, Cícero admitiu que abriu empresas para prestar serviços a pedido de Carlos Lopes. Ele disse que recebia planilhas de pagamentos para as entidades da Conafer e fazia o posterior repasse. Pontuou ainda que não conhece Samuel Chrisostomo.
Santos também negou saber de onde vinham os recursos recebidos pela Conafer. Ele e a esposa, no entanto, teriam movimentado R$ 300 milhões da instituição desde 2019.
Programa previdenciário
A Conafer divulga, no site da confederação, o Programa +Previdência Brasil, que, segundo a página, visa dar publicidade a informações sobre a educação previdenciária e o INSS Digital. As iniciativas incluem cursos sobre benefícios, de modo a auxiliar os interessados a reivindicarem os próprios direitos.
A investigação da CGU demonstrou, porém, que a situação não era como a Conafer fazia parecer. Os auditores ouviram 56 pessoas, em 16 unidades da Federação, que tiveram descontos feitos pela confederação. Nenhuma das vítimas havia autorizado o repasse.
AAB pediu desconto de pessoa morta
A Associação dos Aposentados do Brasil solicitou o desconto em benefício de pessoas mortas há décadas. Levantamento feito pela CGU identificou que a AAB, sediada em Brasília, solicitou indevidamente, em mais de 27 mil casos, a inclusão de descontos associativos de pessoas já falecidas.
“Trata-se de conduta que, em tese, configura tentativa de burlar os controles da Administração Pública”, explica a CGU. “Os fatos constituem forte indício de atuação fraudulenta, na medida em que supostamente revela a inexistência de qualquer manifestação válida de consentimento por parte do beneficiário”, assinalou o órgão controlador.
Imagem Ilustrativa
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