DPOC: especialistas alertam sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

DPOC: especialistas alertam sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva que limita o fluxo de ar nos pulmões, causada principalmente pelo tabagismo e pela exposição contínua a poluentes¹.

Entre os sintomas mais comuns estão falta de ar persistente, tosse crônica e produção excessiva de muco, sinais muitas vezes ignorados ou atribuídos ao envelhecimento .

A doença afeta cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, sendo a terceira causa de morte global e a quinta no Brasil.

“A DPOC é uma doença decorrente de uma inflamação crônica nos pulmões e que leva a alterações estruturais dos pulmões. Ou seja, é uma somatória do enfisema pulmonar e da bronquite crônica. As alterações são crônicas e progressivas”9, explicou o pneumologista dr. Roberto Stirbulov, coordenador da Comissão de DPOC da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) durante a Live #IssoéDPOC: por dentro da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, promovida pelo Metrópoles, em parceria com a biofarmacêutica GSK, em novembro.

O especialista também citou alguns sintomas característicos, que impactam até nas atividades rotineiras do paciente.

“A pessoa vai ter uma falta de ar que vai piorando progressivamente. Por exemplo: ela conseguia subir três lances de escadas e já não consegue mais. Depois não consegue subir nenhum lance de escada, não consegue nem tomar banho sozinho. Normalmente tem uma tosse com catarro pela manhã. E esses sintomas vão progredindo junto com manifestações fora do pulmão, principalmente no coração”, pondera, enfatizando que a DPOC não tem cura, mas tem controle se tratada corretamente.

Estudos apontam que 70% dos brasileiros com DPOC vivem sem diagnóstico, o que atrasa o início do tratamento e aumenta o risco de complicações. Em 2022, mais de 43 mil pessoas morreram em decorrência da doença no SUS .

O cenário preocupa ainda mais com a reversão de uma tendência histórica: pela primeira vez desde 2007, o país registrou aumento de 25% no número de fumantes entre 2023 e 2024.

Para discutir esse contexto no Dia Mundial da DPOC (19/11), o encontro reuniu especialistas e convidados que compartilharam informações, relatos pessoais e orientações práticas.

Tabagismo é o principal vilão

Durante a live, a atriz e humorista Samantha Schmütz contou a experiência de parar de fumar após perceber impactos na saúde e no trabalho. Ela relembrou que fumou o último cigarro, oferecido por Leonardo DiCaprio, em uma festa em Los Angeles, e ao passar mal decidiu que nunca mais fumaria. Desde então, afirma que vive uma grande transformação.

“Em 2016, eu comecei a ver o meu corpo reagindo mal pelo cigarro. Então, eu acordava com tosse, catarro, muco que foi ficando assustador. Aí eu pensei: a gente já está suscetível a ter doenças na vida, então não posso colaborar para ter uma doença que inclusive está atrapalhando o meu material de trabalho. Porque se eu não fumar, eu vou cantar melhor, vou respirar melhor.. Pois eu não preciso só das cordas vocais, eu preciso do pulmão.”

Dr. Bernardo Maranhão, pneumologista e gerente de Grupo Médico da GSK, abordou métodos farmacológicos, não farmacológicos e comportamentais comumente utilizados na jornada de cessação, e comentou sobre os riscos do uso do vape entre jovens, que têm gerado consequências graves e até irreversíveis.

“O que foi inicialmente idealizado como um mecanismo para parar de fumar, hoje em dia o que se sabe claramente é que o vape não só não ajuda a parar de fumar de forma nenhuma, os estudos não comprovam isso, como também é mais um fator de agravo à saúde do ser humano”, destacou o especialista, que reforçou a preocupação com os jovens.

“O comércio de vape não é permitido no Brasil. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a utilização do vape e, apesar disso, a gente vê a utilização bastante frequente. E, seguramente, essas pessoas vão encontrar as doenças respiratórias numa faixa etária mais jovem do que aquele que começou a fumar com 20 e poucos anos. Por quê? Porque aos 12, 13, 14 (anos), já estão sendo submetidos a uma carga de nicotina. O que se sabe é que o vape é capaz de produzir várias situações graves.”

O criador de conteúdo Gustavo Foganoli, fundador do movimento #SemNicotina, relatou que começou a fumar muito jovem, migrou para o vape e chegou a usá-lo até durante o sono. Com ajuda profissional, reduziu gradualmente a nicotina até abandonar o vício, e hoje incentiva jovens a buscarem hábitos mais saudáveis.

“Vi no compromisso público uma ferramenta muito legal para utilizar na cessação do tabagismo. Criei o movimento #SemNicotina para as pessoas se apoiarem postando vídeos da própria jornada. Isso me ajudou bastante, pois uma vez que você fala na internet e toma a proporção que tomou (…) as pessoas sempre ficam me observando nas festas, por exemplo.

De acordo com os pneumologistas que participaram da live, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica pode ser prevenida e controlada.

Os especialistas reforçaram ainda que parar de fumar é uma das medidas mais eficazes para proteger a saúde.

Além disso, apontaram que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece classes terapêuticas seguras e eficazes para o controle dos sintomas da DPOC, mas que a cessação do tabagismo é indispensável para a melhora da doença.

 

 

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