Mais de cinco mil unidades educacionais foram impactadas por ações policiais na região metropolitana do Rio
O levantamento mostra que 5.180 escolas foram impactadas por tiroteios na região metropolitana do Rio nos últimos quatro anos (2022-2025), quase metade dessas escolas foram afetadas por tiroteios no seu entorno durante incursões policiais.
Quando as operações policiais acontecem sem planejamento adequado, as consequências para os estudantes são imediatas e graves: escolas fecham, aulas são suspensas, crianças e adolescentes ficam na linha de tiro, explica ele.
Ele destaca que nos últimos nove anos, 45% das crianças e adolescentes baleados no Rio foram atingidos durante ações policiais. “Esses números evidenciam que as operações mal planejadas não apenas interrompem o direito à educação, mas colocam em risco direto a vida dos estudantes.”
As informações do Instituto Fogo Cruzado mostram que 2022 foi o ano com mais tiroteios no entorno escolar: ocorreram 1.248 tiroteios perto de escolas. Quatro em cada dez foram em contextos de operação policial, que impactaram o funcionamento de 760 unidades educacionais.
O levantamento aponta que praticamente metade dos tiroteios aos arredores de escolas são desencadeados por operações policiais. O mesmo aconteceu nos anos seguintes, quando aproximadamente 42,93% dos tiroteios vieram de ações policiais no entorno de escolas, em 2023. Mais de 540 escolas sofreram com a violência em ações policiais.
Em 2024, 46,25% dos tiroteios próximos às escolas que ocorreram durante as operações atingiram 413 escolas. Até o momento, neste ano, trocas de tiros decorrentes de ações policiais afetaram 511 escolas, em 327 tiroteios de um total de 647.
O representante do Instituto Fogo Cruzado destaca ainda que faltam protocolos rígidos e o cumprimento do que já existe. A ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, estabeleceu diretrizes que deveriam proteger as escolas: operações policiais precisam ser justificadas, planejadas e acompanhadas pelo Ministério Público. Além disso, há determinação de que ações perto de escolas e hospitais respeitem o funcionamento dos locais, principalmente em horário de entrada e saída escolar.
Os números do Instituto Fogo Cruzado vão ao encontro dos dados de um levantamento do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que destaca que 45% dos tiroteios registrados na região metropolitana do Rio de Janeiro ocorreram a menos de 300 metros de alguma escola. Em mais de um terço desses casos, houve envolvimento de agentes da polícia.
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