Boulos enfrenta reações após revogação de decreto sobre privatização de rios na Amazônia

Boulos enfrenta reações após revogação de decreto sobre privatização de rios na Amazônia

Anúncio feito por Boulos gerou queixas de Casa Civil, AGU e pastas ligadas à infraestrutura e agricultura, mas Guilherme Boulos foi fiel à sua biografia e sua luta

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, tornou-se alvo de críticas internas no governo federal após atuar diretamente pela revogação de um decreto presidencial que tratava do programa de concessão de hidrovias na região amazônica (privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins). A decisão foi negociada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra em viagem à Ásia, em meio ao aumento da pressão de comunidades indígenas contrárias ao projeto.

As informações foram publicadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que relatou o desconforto de diferentes áreas do governo diante do recuo. Segundo a reportagem, ministérios como Casa Civil, Advocacia-Geral da União (AGU), Portos e Aeroportos e Agricultura manifestaram insatisfação com a condução do processo. Leia mais Aqui

O decreto previa a concessão de hidrovias na Amazônia como parte de um programa voltado ao escoamento de produção, especialmente agrícola. No entanto, o projeto enfrentava resistência de povos indígenas da região do Tapajós, no Pará, que afirmam que a ampliação do uso dos rios para transporte de cargas ameaça seus territórios e seu modo de vida.

Nos últimos dias, os protestos ganharam força. Indígenas realizaram manifestações em instalações da multinacional Cargill, gigante do agronegócio, em Santarém (PA), e também em São Paulo. A mobilização elevou a tensão política em torno do tema e pressionou o governo a rever sua posição.

De acordo com a coluna, na segunda-feira (23), Boulos tratou diretamente com Lula sobre a revogação do decreto. O anúncio oficial ocorreu em reunião no Palácio do Planalto, com a presença da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, além de lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais.

A decisão provocou reação imediata entre ministérios que atuam nas áreas jurídica, de infraestrutura e de produção agrícola, que teriam sido impactados pela mudança. Ainda segundo a publicação, houve queixas formais de integrantes dessas pastas quanto à revogação do decreto.

Apesar da insatisfação interna, prevaleceu no governo o entendimento de que a escalada do conflito poderia aprofundar a tensão com uma base social estratégica, especialmente em ano eleitoral. O cálculo político, conforme relatado pela Folha, considerou o risco de desgaste com setores que historicamente compõem a sustentação do governo.

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