Homens da Lei: procurador critica condenação em caso de abuso de menor em MG

Homens da Lei: procurador critica condenação em caso de abuso de menor em MG

O Procurador-Geral de Justiça de Minas Gerais, Paulo de Tarso Moraes Filho, afirmou nesta quarta-feira (25) que a Justiça não pode atropelar o devido processo legal para corrigir decisões consideradas equivocadas, ao comentar a reviravolta no caso do homem de 35 anos acusado de estuprar menina de 12 anos em Indianópolis (MG).

Segundo ele, a decisão monocrática do desembargador Magid Nauef Láuar, que restaurou a condenação após absolvição anterior, criou um impasse jurídico e pode resultar em questionamentos sobre a legalidade das prisões.

Em entrevista ao Estúdio i, o chefe do Ministério Público mineiro disse que a revisão isolada do julgamento, sem análise do colegiado, pode ter “atropelado” regras processuais. Para Moraes Filho, a tentativa de corrigir a absolvição por meio de embargos declaratórios não poderia ocorrer dessa forma e abre brecha para contestação pelas instâncias superiores.

“Na perspectiva da estrita legalidade, o que era ruim ficou pior. Não podemos acreditar que os fins justifiquem os meios. Houve uma decisão [a absolvição] da qual podemos discordar, mas foi proferida por um órgão competente. Não caberia a revisão monocrática em sede de embargos declaratórios”, afirmou.

O procurador explicou que o Ministério Público buscava a condenação por meio de recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas alertou que a mudança isolada pode resultar em anulação das prisões. “Eu não posso, a troco da condenação, atropelar as leis processuais. O que se utiliza hoje para uma causa que é nobre, amanhã pode ser utilizado para uma que não é”, disse.

 

Risco de novos atrasos

Para o chefe do MP, o principal risco é o processo sofrer nova reversão. “O STJ pode cassar essa decisão e o processo ter que voltar, protelando a prisão definitiva que o Ministério Público deseja”, declarou. Apesar das críticas técnicas ao procedimento, ele rejeitou a tese que embasou a absolvição original, segundo a qual haveria consentimento da vítima por vínculo afetivo com o acusado.

“Não há a menor condição de aceitar que uma menina de 12 anos poderia decidir. Eu sou pai. Ninguém gostaria de ver uma filha sua de 12 anos submetida a isso. Uma criança de 12 anos não tem discernimento para decidir sobre esse assunto. A vulnerabilidade dela é patente e inafastável”, afirmou.

Situação da vítima

O procurador informou que a menina está sob proteção do Estado após a prisão também da mãe, acusada de omissão. Segundo ele, a criança foi encaminhada a uma casa de acolhimento, e o Ministério Público busca familiares ou uma família substituta para garantir sua segurança e recuperação.

“O que incumbe ao Estado agora é dar condições para que essa criança se restabeleça com o tratamento devido”, disse.

Sobre eventuais investigações contra o desembargador no Conselho Nacional de Justiça, Moraes Filho afirmou que há sigilo, mas reiterou que o Ministério Público mantém posição firme contra qualquer interpretação de consentimento em casos de estupro de vulnerável.

Prisões após mudança de entendimento

A mãe da menina e o homem foram presos após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais restabelecer a sentença de primeira instância.Cada um foi condenado a 9 anos e quatro meses de prisão. A mulher foi detida em casa, enquanto o homem foi localizado na residência de uma amiga, sem resistência.

Ambos foram levados para a Polícia Civil em Araguari para formalização dos mandados de prisão. As detenções ocorreram em Indianópolis, no Triângulo Mineiro.

“Na perspectiva da estrita legalidade, o que era ruim ficou pior. Não podemos acreditar que os fins justifiquem os meios. Houve uma decisão [a absolvição] da qual podemos discordar, mas foi proferida por um órgão competente. Não caberia a revisão monocrática em sede de embargos declaratórios”, afirmou.

O procurador explicou que o Ministério Público buscava a condenação por meio de recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas alertou que a mudança isolada pode resultar em anulação das prisões. “Eu não posso, a troco da condenação, atropelar as leis processuais. O que se utiliza hoje para uma causa que é nobre, amanhã pode ser utilizado para uma que não é”, disse.

 

Risco de novos atrasos

Para o chefe do MP, o principal risco é o processo sofrer nova reversão. “O STJ pode cassar essa decisão e o processo ter que voltar, protelando a prisão definitiva que o Ministério Público deseja”, declarou. Apesar das críticas técnicas ao procedimento, ele rejeitou a tese que embasou a absolvição original, segundo a qual haveria consentimento da vítima por vínculo afetivo com o acusado.

“Não há a menor condição de aceitar que uma menina de 12 anos poderia decidir. Eu sou pai. Ninguém gostaria de ver uma filha sua de 12 anos submetida a isso. Uma criança de 12 anos não tem discernimento para decidir sobre esse assunto. A vulnerabilidade dela é patente e inafastável”, afirmou.

Situação da vítima

O procurador informou que a menina está sob proteção do Estado após a prisão também da mãe, acusada de omissão. Segundo ele, a criança foi encaminhada a uma casa de acolhimento, e o Ministério Público busca familiares ou uma família substituta para garantir sua segurança e recuperação.

“O que incumbe ao Estado agora é dar condições para que essa criança se restabeleça com o tratamento devido”, disse.

Sobre eventuais investigações contra o desembargador no Conselho Nacional de Justiça, Moraes Filho afirmou que há sigilo, mas reiterou que o Ministério Público mantém posição firme contra qualquer interpretação de consentimento em casos de estupro de vulnerável.

Prisões após mudança de entendimento

A mãe da menina e o homem que vivia maritalmente com a criança foram presos após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais restabelecer a sentença de primeira instância. Cada um foi condenado a 9 anos e quatro meses de prisão. A mulher foi detida em casa, enquanto o homem foi localizado na residência de uma amiga, sem resistência.

Ambos foram levados para a Polícia Civil em Araguari para formalização dos mandados de prisão. As detenções ocorreram em Indianópolis, no Triângulo Mineiro.

Veja também

Quer descobrir todos os crimes de Flávio Bolsonaro? Veja aqui como acessar a roleta interativa

Quer descobrir todos os crimes de Flávio Bolsonaro? Veja aqui como acessar a roleta interativa

Roleta interativa compila denúncias e investigações contra o candidato a partir de reportagens e documentos …