Tânia Maria vence prêmio internacional de Melhor Atriz Coadjuvante

Tânia Maria vence prêmio internacional de Melhor Atriz Coadjuvante

A intérprete de dona Sebastiana em ‘O agente secreto’ foi premiada no International Cinephile Society Awards; filme de Kleber Mendonça teve mais cinco vitórias

Tânia Maria de 79 anos, venceu um prêmio internacional por sua atuação no filme “O agente secreto”.

Ela recebeu o International Cinephile Society Awards na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante.

O filme também foi premiado em outras cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Direção (Kléber Mendonça Filho), Melhor Ator (Wagner Moura), Melhor Direção de Elenco e Melhor Roteiro Original.

A International Cinephile Society é formada por mais de 170 membros. O grupo, formado em 2003, conta com jornalistas, acadêmicos, historiadores e profissionais da área do cinema. Todos os anos, a sociedade vota para homenagear o melhor do cinema internacional.

Wagner Moura também levou dois prêmios internacionais na última semana. O brasileiro venceu o prêmio de Melhor Ator no Paris Film Critics Awards, concedido por críticos e jornalistas sediados em Paris, e o Virtuoso Award, no 41º Festival Internacional de Cinema de Santa Bárbara, nos Estados Unidos.

O Virtuoso Award reconhece atuações de destaque da temporada e também foi entregue a Jacob Elordi (“Frankenstein”), Inga Ibsdotter Lilleaas (“Valor Sentimental”), Amy Madigan (“A Hora do Mal”), Wunmi Mosaku (“Pecadores”), Teyana Taylor e Chase Infiniti (“Uma Batalha Após a Outra”) e Sydney Sweeney (“Christy”).

Tânia Maria está se preparando para o Oscar

A nordestina Tânia Maria largou o cigarro. Aos 79 anos. Depois de passar 60 deles como fumante. O motivo? Ela pretende suportar viagens longas sem sentir falta das baforadas que são a marca registrada da personagem de “O agente secreto” que a tornou famosa.

Com a interpretação de Dona Sebastiana – a mulher que abriga os “refugiados” no longa de Kleber Mendonça Filho ambientado no período da ditadura militar brasileira – Tânia Maria ganhou mais do que fama. Ela vem conquistando elogios da crítica, prêmios e está diante da perspectiva de receber, nesta quinta-feira (22/1), uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Quase 8 mil quilômetros separam Santo Antônio da Cobra, povoado com menos de mil habitantes no Rio Grande do Norte, onde ela vive, de Los Angeles, na Califórnia, onde a cerimônia de entrega das estatuetas será realizada, em 15 de março. Tânia Maria pretende fazer esse trajeto. Sem fumar.

No entanto, ela diz que sua rotina depois da fama não mudou muito. “Minha ficha ainda não caiu, continuo fabricando. Ainda sou a mesma, sou artesã”, afirma. A primeira vez que a artesã e costureira potiguar entrou num cinema foi para ver “Bacurau” (2019), longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles no qual atuou como figurante.

Emoção de se ver na telona

“Eu não assisti ao filme, eu me assisti. Eu só olhava para mim. Na segunda, terceira vez, que eu fui entendendo”, conta. A experiência de se ver em cena ainda provoca emoção. “A gente se vê na tela grande, é muito emocionante.”

Tânia Maria chegou ao set de “Bacurau” a convite de Leonardo Lacca, colaborador frequente de Kleber Mendonça Filho como diretor assistente e preparador de elenco. Segundo a atriz, Lacca tem sido essencial em seu processo de desenvolvimento dos papéis.

“Léo me ensina muito. Quando vamos decorar as cenas, escrevemos à mão, copiamos as falas, rapidinho eu decoro. Essa é a instrução que ele me dá, meu preparador.”

A parceria com o diretor pernambucano evoluiu para amizade e resultou em outros trabalhos conjuntos. Tânia Maria está no elenco de “Seu Cavalcanti” (2024), no qual atuou ao lado da neta, e também na série ainda inédita “Delegado”, com estreia prevista para este ano.

“Neto de coração”

“Léo é meu neto de coração. Eu só tenho uma neta, e quando digo isso ele responde: ‘E eu?’. Eu amo ele. Sou muito amiga da família dele e os considero muito, quando vou à cidade do Léo, fico na casa dele, é muita intimidade”, comenta a atriz.

Com Kleber Mendonça Filho ela também desenvolveu uma relação de amizade. “Trabalhar com Kleber é tão bom. Ele é um diretor que não parece nem ser diretor, mas sim um amigo”, diz. “É tudo muito gratificante. Se não fosse ele, eu não estaria aqui. Kleber e Leonardo são meus amigos de verdade.”

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