Bolsonarista convida “Japonês da Federal”, preso por contrabando, para “compliance” em seu governo

Bolsonarista convida “Japonês da Federal”, preso por contrabando, para “compliance” em seu governo

“Japonês da Federal” Newton Ishii vai atuar como secretário-adjunto na prefeitura de Cuiabá, comandada por Brunini, que afirmou que o ex-agente vai fazer um serviço de compliance em seu governo

Em mais uma tentativa de lacrar nas redes sociais, o bolsonarista Abílio Brunini (PL) anunciou pelo seu perfil no Instagram a contratação do ex-policial federal Newton Hidenori Ishii, que ficou conhecido como “Japonês da Federal” e foi preso em 2016 pelo crime de facilitação do contrabando na fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu.

Ishii vai atuar como secretário-adjunto na prefeitura de Cuiabá, comandada por Brunini, que afirmou que o ex-agente vai fazer um serviço de compliance em seu governo.

O neologismo, importado do inglês to comply, ganhou espaço em grandes empresas mundo afora como uma prática para se criar “padrões éticos” nas corporações para minimizar riscos, evitar fraudes e proteger sua reputação.

Ao falar da contração, importada de Curitiba, no Paraná, o bolsonarista lembrou da atuação do agente na Lava Jato e sinalizou o trabalho que fará na administração.“O Newton é um profissional que entende muito de compliance, a experiência e o currículo dele dentro da Polícia Federal e dentro do conhecimento que ele tem, ele vai nos ajudar muito a instalar instalar boas práticas de transparência e acredito que o tempo que ele passar conosco aqui, ele vai somar bastante com a gestão”.

Da Lava Jato à prisão

Durante o auge da Lava Jato, entre 2014 e 2016, Ishii atuava como agente da Polícia Federal do Brasil em Curitiba e frequentemente aparecia nas imagens de cumprimento de mandados de prisão. Ele escoltou diversos investigados e condenados da operação, entre eles empresários e políticos de grande visibilidade.

Por causa da exposição constante na televisão e em fotografias oficiais, Ishii acabou se tornando uma espécie de personagem da operação. Nas redes sociais e na cultura popular, virou meme, ganhou marchinha de Carnaval e passou a ser reconhecido nas ruas. Em alguns casos, chegou a receber aplausos e pedidos de selfie de apoiadores da Lava Jato.

Apesar da fama associada ao combate à corrupção, Ishii tinha uma condenação antiga na Justiça Federal. O caso remontava a 2003, quando ele foi investigado na Operação Sucuri, que apurou um esquema de facilitação de contrabando na fronteira entre Brasil e Paraguai, em Foz do Iguaçu (PR).

Segundo a investigação, agentes públicos teriam facilitado a entrada de mercadorias ilegais no país. Ishii foi condenado por facilitar contrabando, recebendo pena de quatro anos e dois meses de prisão.

Em junho de 2016, após perder recursos judiciais contra a condenação, Ishii foi preso em Curitiba para cumprir a pena. A ordem de prisão foi expedida pela Justiça Federal de Foz do Iguaçu.

Após o episódio, Ishii continuou na corporação por algum tempo, mas acabou deixando a Polícia Federal. Posteriormente, também foi condenado à perda do cargo público e ao pagamento de multa, em desdobramentos judiciais relacionados ao mesmo caso de contrabando. As informações são da Fórum

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