Com o desgaste do entorno do governador Ibaneis Rocha (MDB) e a perda do principal eixo de articulação da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ocupar espaço central nas decisões políticas, interferindo diretamente na definição de candidaturas para 2026.
O movimento, de acordo com informações do Globo, a colocou em rota de colisão com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que até então conduzia a estratégia nacional do grupo no posto de pré-candidato à Presidência.
PL joga Ibaneis aos leões
A crise foi agravada pelas revelações envolvendo o Banco Master e sua relação com decisões do governo do DF, especialmente no caso do BRB. O cenário piorou após a divulgação de um contrato de R$ 38 milhões firmado pelo escritório de advocacia de Ibaneis com um fundo ligado à Reag, investigada pela Polícia Federal.
Em resposta, o Partido Liberal protocolou pedido de CPI na Câmara Legislativa, rompendo na prática com o governador, que era aliado e articulava candidatura ao Senado.
Sem Ibaneis como referência política, parlamentares passaram a buscar Michelle diretamente, consolidando seu protagonismo. Ela passou a dialogar com pré-candidatos e a influenciar decisões eleitorais.
No DF, onde Michelle Bolsonaro defende uma dobradinha com Bia Kicis ao Senado, com Celina Leão para o governo, o grupo de Flávio Bolsonaro defende o nome do senador Izalci Lucas (PL-DF) como alternativa de centro-direita. A proposta foi rejeitada por aliados de Michelle. ” Celina é a melhor opção” disse a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Michelle se posicionou várias vezes em apoio à candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para presidente, contrariando os filhos de Jair Bolsonaro (PL).
No Ceará, Flávio tentou viabilizar aliança com Ciro Gomes (PSDB-CE), enquanto Michelle se posicionou contra o acordo, alinhada a nomes mais conservadores. Em Minas Gerais e São Paulo, divergências sobre alianças e composição de chapas reforçam a disputa interna.
Flávio Bolsonaro ataca o Centrão
Flávio afirma que mantém uma articulação nacional focada em alianças mais amplas, entretanto, no sábado, 21, lançou seu jingle de pré-campanha que diz “Agora o Brasil é Flávio. E Flávio é Bolsonaro. A esquerda entra em desespero e o Centrão cai do cavalo”, diz o refrão.
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