Com esse caso, somam-se 10 PMs e uma Investigadora da PC presos na mesma semana em três casos diferentes envolvendo narcotráfico
No dia 26 de fevereiro, onze pessoas, sendo seis delas policiais militares, foram presas na capital amazonense, no bairro Tarumã, em posse de grandes quantidades de drogas. Com esse caso, somam-se 10 PMs e uma Investigadora da PC presos na mesma semana em três casos diferentes envolvendo narcotráfico.
As drogas, maconha e cocaína, estavam sendo descarregadas de um flutuante para duas viaturas policiais. O total apreendido foi de quase 3 toneladas dos entorpecentes, avaliados em R$53,3 milhões. Juntamente com as drogas, foram apreendidos dois carros, 12 celulares, seis pistolas e um fuzil.
Dentre os homens detidos, estavam os policiais Thiago Torquato Herculano Viana — cabo; David Ramires Alencar — sargento; Mabio Castro Nascimento — cabo; Tellson da Costa Antunes — sargento; Joabe Vasconcelos Maia — 2º sargento e Mariley da Silva Aparício — cabo.
Posicionamento contraditório
Em nota, a Polícia Militar do Amazonas declarou que: “não tolera qualquer desvio de conduta por parte de seus integrantes, que serão responsabilizados dentro do devido processo legal, nas esferas administrativa e criminal.”. A nota é curiosa, pois é a terceira só essa semana que o órgão do velho Estado teve que admitir, considerando a grande quantidade de seus agentes envolvidos no narcotráfico.
No início da semana, um PM e uma investigadora da PC foram presos por envolvimento com tráfico de drogas; poucos dias depois, mais três PMs foram presos, flagrados em uma ação de pirataria para roubar cerca de uma tonelada de drogas de um grupo rival.
Sobretudo, destaca-se ainda o trecho da nota que diz que “serão responsabilizados dentro do devido processo legal, nas esferas administrativa e criminal”. O que chega a ser irônico aqui é que não é a primeira vez que o cabo da PM Thiago Torquato Viana se envolve em ocorrências do tipo.
Em 2014, o homem havia sido preso, junto com outros dois PMs, sendo autuados por extorsão mediante sequestro. O caso ocorreu quando os mesmos invadiram a casa de um padeiro, situada no bairro Cidade Nova.
Lá, roubaram um notebook e dinheiro da residência e sequestraram o trabalhador, que foi levado até um local desconhecido onde foi agredido. Os militares, quando contatados pela família, exigiram um resgate de R$ 50.000.
Na ocasião, após a prisão dos homens, a major da PM Raina Albuquerque, lotada na Corregedoria da SSP afirmou que “Os policiais irão responder um inquérito administrativo e criminal. Caso for comprovado o crime, os três serão expulsos da corporação”.
Ao que parece, notas e declarações do tipo são meras formalidades técnicas, visto que o que o povoconhece é apenas impunidade para crimes cometidos por agentes policiais, enquanto para as massas é aplicado todo o “rigor da lei”.
Possível queima de arquivo
No momento de apuração desta matéria, um novo fato possivelmente relacionado ao caso se desenvolveu. Foram mortos, ainda na manhã do dia 27 de fevereiro, o PM aposentado Francisco Max dos Reis Santos e seu amigo, identificado como César.
Foi divulgado para a imprensa que ambos foram mortos com tiros de fuzis e de pistola em um sítio no bairro Tarumã. Há indícios que os homens teriam sido emboscados. No vídeo que foi divulgado registrando sua execução pode-se ver quatro homens de porte militar e balaclava rendendo o Max e o executando no chão.
Apesar de ainda não haver informações oficiais sobre o caso, especula-se que o crime possa estar relacionado com uma possível queima de arquivo mediante as últimas descobertas de quadrilhas de policiais envolvidos no narcotráfico.
O falecido PM, Francisco Max, conhecido como “Bombado”, contava com seu próprio histórico criminal violento. Em 2025, o homem foi condenado a 64 anos e oito meses de prisão, sendo acusado por uma chacina que vitimou quatro pessoas no bairro Santa Etelvina, em 2015. O caso estava ligado a uma disputa de terras na zona norte da capital amazonense, tendo o PM agido como pistoleiro na ocasião.
Segundo informações divulgadas no monopólio de imprensa, Max também é conhecidamente chefe de um grupo de extermínio que atua na capital amazonense.
Considerando que os últimos desdobramentos na cidade, pode-se especular que o PM poderia estar dando informações sobre outros criminosos de farda, o que teria motivado seu assassinato.
Os múltiplos casos reafirmam a análise do AND sobre a “guerra às drogas” como ferramenta do imperialismo e guerra civil reacionária Para além do crescimento e fortalecimento de grupos paramilitares conformados e dirigidos por agentes policiais, como resultado torpe dessa fórmula genocida.
Enquanto isso, os reacionários de plantão acusam movimentos populares legítimos como a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de “organização criminosa”, para perseguir, criminalizar seus dirigentes e assassinar as massas camponesas. Sobre os bandidos dentro de suas próprias instituições, estes são acoitados e raramente investigados, julgados ou presos. Com informações da A Nova Democracia
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