Vídeos mostram homens insinuando agressão caso mulheres recusem investidas
Uma tendência que circula no TikTok às vésperas do Dia Internacional da Mulher tem provocado críticas de usuárias e especialistas em violência de gênero. Em vídeos que viralizaram nos últimos dias, homens simulam ou insinuam que reagiriam com agressão física caso uma mulher recusasse investidas ou dissesse “não” em situações de paquera.
O formato dos vídeos varia, mas segue uma lógica semelhante: criadores de conteúdo encenam diálogos ou situações em que uma mulher rejeita um pedido ou flerte e, em seguida, fazem gestos ou comentários sugerindo que a reação seria violenta. Em muitos casos, os vídeos são apresentados como humor ou ironia, acompanhados de trilhas populares da plataforma.
A trend se espalhou rapidamente por meio de duetos e reações. Enquanto alguns usuários replicam o formato original, outros passaram a responder criticando o conteúdo e denunciando a normalização da violência contra mulheres.
Organizações e ativistas alertam que mesmo conteúdos apresentados como “piada” podem reforçar uma cultura de banalização da violência. Episódios virais envolvendo ameaças ou referências a violência sexual em redes sociais já geraram preocupação anteriormente, justamente pelo impacto psicológico que podem causar em mulheres e vítimas de violência.
Especialistas também apontam que redes sociais frequentemente amplificam conteúdos polêmicos ou chocantes, o que contribui para que tendências desse tipo se espalhem rapidamente. Ao mesmo tempo, a reação de crítica também costuma ganhar força, com usuários denunciando vídeos e pressionando plataformas por moderação.
A discussão surge justamente na véspera do 8 de março, data que marca a luta por direitos das mulheres e o combate à violência de gênero. No Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio a cada poucos dias, segundo dados de segurança pública, o que torna o debate sobre a banalização da violência nas redes ainda mais sensível.
Misoginia deve ser tratada como crime de discriminação, aprova CCJ
O combate à discriminação contra as mulheres pode ganhar um novo instrumento legal com a inclusão da misoginia na Lei do Racismo. Projeto nesse sentido foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Acatado por 13 votos a dois em caráter terminativo, o texto segue para a Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para votação em Plenário.
O Projeto de Lei (PL) 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), define misoginia como a conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino. A proposta altera a Lei do Racismo (Lei 7.716, de 1989) para tipificar a misoginia como crime de discriminação. Pelo projeto, o primeiro artigo da norma passa a ter a seguinte redação: “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional ou praticados em razão de misoginia”.
Segundo a Agência Senado, o PL 896/2023 teve relatório favorável da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que rejeitou substitutivo da Comissão de Direitos Humanos (CDH), por entender que ele reduzia o alcance da proposta ao tratá-la como injúria individual e não como ofensa a um grupo social. Para a relatora, a misoginia deve ser considerada crime coletivo, que atinge todas as mulheres, não apenas vítimas isoladas.
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