Ridículo: presidente da Câmara dos EUA diz que direitos dos estadunidenses vêm de Deus, não do governo

Ridículo: presidente da Câmara dos EUA diz que direitos dos estadunidenses vêm de Deus, não do governo

Que deus daria direitos divinos a um país que invade outros países, faz guerra contra todos, mata seu próprio povo, tem quase um milhão de moradores de rua, é o país no mundo que tem mais viciados em drogas e elege um pedófilo e corrupto para dirigir o país de eleitos por Deus?

O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Mike Johnson, afirmou que os direitos dos estadunidenses “não vêm do governo”, mas de Deus. A declaração foi feita durante cerimônia do Dia Nacional de Oração, realizada no Capitólio, em Washington.

Em discurso para parlamentares e líderes religiosos, Johnson disse que a oração faz parte da identidade histórica dos Estados Unidos e descreveu a Declaração de Independência como a “declaração nacional de fé” do país.

Segundo ele, a aproximação do 250º aniversário da independência americana é uma oportunidade para relembrar os princípios que deram origem à nação.

“Proclamamos corajosamente a verdade evidente de que nossos direitos não vêm do governo; eles vêm do próprio Deus. Foi Ele quem nos concedeu nossos direitos inalienáveis, entre eles o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade”, afirmou.

Johnson acrescentou que essa ideia, presente no segundo parágrafo da Declaração de Independência, foi a base para que os Estados Unidos se tornassem “a nação mais livre, mais bem-sucedida, mais poderosa e mais benevolente da história”.

Durante o discurso, o republicano também afirmou que a fé acompanha a história americana desde seus primeiros anos.

“A oração faz parte do nosso DNA desde o início. Somos uma nação que ora”, disse, citando episódios históricos como a chegada dos peregrinos a Plymouth, a Guerra da Independência e a expansão para o Oeste.

Johnson é um teocrata doente. Questionado pela Fox News sobre como orientaria a formulação de políticas públicas,  respondeu: “Pegue uma Bíblia na sua estante e leia. Essa é a minha visão de mundo.”

A declaração, porém, vai além de uma simples manifestação de fé. Johnson é adepto do chamado “originalismo bíblico”, corrente que sustenta que a Bíblia representa a verdade absoluta e deve ser a principal — ou única — referência para a elaboração de políticas públicas.

Em 2016, ele foi ainda mais explícito ao afirmar: “Nós não vivemos em uma democracia, mas em uma república bíblica.” Embora Johnson seja frequentemente citado por suas posições conservadoras sobre aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e direitos da população LGBTQ+, sua atuação vai além dessas pautas.

Entre 2002 e 2010, ele foi advogado sênior da Alliance Defending Fund, organização jurídica conservadora que mais tarde passou a se chamar Alliance Defending Freedom (ADF).

A entidade teve papel central em ações judiciais que marcaram a recente guinada conservadora da Suprema Corte dos Estados Unidos. Entre elas está o caso 303 Creative v. Elenis, que resultou na decisão permitindo que uma designer de sites de casamento recusasse prestar serviços a casais do mesmo sexo com base em convicções religiosas.

A organização também foi uma das principais articuladoras das estratégias jurídicas que levaram à derrubada do precedente Roe v. Wade, decisão histórica que, por quase 50 anos, garantiu o direito constitucional ao aborto nos Estados Unidos.

 

 

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