Pesquisa mostra que índice entre meninas é mais que o dobro do registrado entre meninos no Brasil
O estudo evidencia uma forte desigualdade entre os sexos. Enquanto 25% das meninas relataram esse sentimento, o percentual entre os meninos foi de 12%, ou seja, menos da metade. A pesquisa também investigou outros aspectos emocionais e comportamentais, reforçando o cenário de maior vulnerabilidade entre as adolescentes.
Tristeza e pensamentos de autolesão
A sensação frequente de tristeza foi relatada por 28,9% dos estudantes. Entre as meninas, o índice chega a 41%, contrastando com 16,7% entre os meninos. A diferença expressiva também aparece na avaliação sobre irritação e instabilidade emocional.
Ao todo, 42,9% dos adolescentes disseram se sentir “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa”. Entre as meninas, o percentual sobe para 58,1%, mais que o dobro dos 27,6% registrados entre os meninos.
Outro dado que chama atenção é a vontade de se machucar intencionalmente. Segundo a pesquisa, 32% dos jovens relataram ter tido esse pensamento nos 12 meses anteriores ao levantamento. Entre as meninas, o índice atinge 43,4%, enquanto entre os meninos é de 20,5%.
Avanços não eliminam o problema
Apesar do cenário preocupante, a pesquisadora e psicóloga Danielle Monteiro observa que houve melhora em alguns indicadores em relação à edição de 2019. “Chama a atenção que, apesar de a pesquisa realizada em 2024 estar localizada temporalmente em um mundo pós-pandêmico da COVID-19, quatro dos seis indicadores já existentes na edição da PeNSE em 2019 apresentaram queda em seus resultados gerais”, afirmou.
Ainda assim, a especialista ressalta que os níveis continuam elevados. “Os indicadores pesquisados ainda apresentaram resultados negativos superiores a muitos encontrados na literatura em questões avaliativas de sentimentos de ansiedade e de depressão”, alertou.
Insatisfação com a imagem corporal
A pesquisa também aponta queda contínua na satisfação com a própria aparência entre adolescentes. Em 2024, 58% dos estudantes disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o próprio corpo, número inferior aos 66,5% registrados em 2019 e aos 70,2% de 2015.
Por outro lado, 27,2% declararam estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos, enquanto 14% relataram indiferença em relação à própria imagem. Entre as meninas, a insatisfação alcança 36,1%, quase o dobro dos 18,2% observados entre os meninos.
Diante desse quadro, Danielle Monteiro defende ações específicas voltadas à saúde mental juvenil. “Toda essa análise aponta que o Brasil precisa investir na saúde mental dos adolescentes, em especial, na saúde das meninas; a criação de políticas públicas que contemplem essas diferenças entre os sexos é importante e urgente para que as mulheres do País possam manter seu bem-estar e sua capacidade inegável de contribuição para a economia, para a sociedade e para o Estado brasileiro”, concluiu. As informações são do BR 247
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
