Violência contra civis desafia a indiferença global diante de uma escalada que já ultrapassa fronteiras e princípios humanitários
Já se somam milhares de civis mortos pelas forças militares israelenses desde o início dos ataques ao território libanês. Entre eles, muitas crianças — corpos que deveriam carregar futuro, mas que passaram a carregar estatísticas. No primeiro dia de ataques mais amplos envolvendo o Irã, o bombardeio de uma escola deixou centenas de crianças mortas, num episódio que sintetiza o grau de brutalidade que marca essa escalada. O que se vê não é apenas um conflito, mas uma dinâmica em que a lógica da segurança se dissolve na prática da punição coletiva.
A mesma lógica se repete em Gaza, onde bairros inteiros são reduzidos a escombros e a população civil é empurrada para um deslocamento contínuo. Estima-se que mais de 1,7 milhão de pessoas — a esmagadora maioria da população do território — já tenham sido forçadas a deixar suas casas ao longo dos ataques recentes. No Líbano, o cenário também é de êxodo: centenas de milhares de pessoas abandonaram suas cidades e vilarejos para fugir dos bombardeios, ampliando uma crise humanitária que atravessa fronteiras.
Até quando o mundo assistirá calado à condução de uma política que transforma o uso da força em estratégia permanente de governo? Até quando a comunidade global aceitará que a alegação de autodefesa sirva de escudo para ações que ultrapassam, reiteradamente, os limites do direito internacional?
E no Brasil, até quando ficaremos alheios a cenas em que pessoas desfilam com bandeiras de Israel pelas ruas, celebrando um governo que acumula denúncias graves contra os direitos humanos? Não se trata de negar o direito de existência de um Estado, mas de reconhecer que nenhum governo está acima das leis que regulam a ordem mundial — sobretudo quando suas ações resultam na morte sistemática de civis.
A política conduzida por Netanyahu já ultrapassou qualquer linha aceitável. Gaza, Irã, Líbano: três frentes que revelam não uma estratégia de contenção, mas um projeto de ampliação do conflito. A história mostra que guerras sem freios morais não produzem segurança — apenas perpetuam ciclos de violência.
Chega. O silêncio não é neutralidade; é cumplicidade. E a indiferença, dentro e fora do Brasil, apenas prolonga uma tragédia que já foi longe demais.
Por Oliveiros Marques
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