Ex-presidente do BRB propõe pagar R$ 17 milhões a clube de Luiz Estevão para fechar delação

Ex-presidente do BRB propõe pagar R$ 17 milhões a clube de Luiz Estevão para fechar delação

A proposta de delação premiada de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), aponta repasses de R$ 17 milhões ao Brasiliense Futebol Clube, time controlado pelo empresário Luiz Estevão. Costa está preso preventivamente em decorrência da operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o BRB e o Banco Master.

Segundo um dos anexos preliminares que estão sendo finalizados pela defesa do ex-dirigente, obtidos pelo Vero Notícias,  o clube não teria pago os impostos devidos após a conclusão das transferências. O material faz parte do acordo em discussão com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Procurado, Luiz Estevão não se manifestou.

O valor se soma a outras movimentações financeiras relacionadas ao ex-senador e ao Banco Master. Documento do Coaf já havia apontado repasses de R$ 27,2 milhões, entre 2024 e 2025, ao site de entretenimento Metrópoles, também pertencente ao empresário.

A transferência de Paulo Henrique Costa para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, aumentou nos bastidores a expectativa de avanço nas negociações da delação. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorreu na noite de sexta-feira (8).

Investigadores e integrantes da defesa avaliam que a colaboração pode atingir figuras centrais da política do Distrito Federal. Entre os nomes citados nos bastidores estão o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e a atual governadora Celina Leão (PP), que podem se tornar alvos formais caso o acordo avance.

Os advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino pediram a transferência sob o argumento de que Costa havia sinalizado interesse em firmar colaboração premiada. A defesa alegou que a Papuda não oferecia condições adequadas para “discutir eventuais fatos delitivos de forma eficiente” nem para “manusear fontes de prova” durante as tratativas.

Outro ponto citado pela defesa foi o fato de a Papuda ser administrada pelo governo do Distrito Federal. Nos bastidores, há temor de monitoramento de conversas, especialmente porque Ibaneis e Celina aparecem como personagens sensíveis na investigação.

A Papudinha foi considerada um local mais seguro para as negociações. A defesa chegou a avaliar uma transferência para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, mas a PF informou ao STF que não havia vagas disponíveis na unidade, onde Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, está custodiado.

Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como responsável pelo pagamento de vantagens indevidas a Paulo Henrique Costa. Segundo a investigação, o ex-presidente do BRB teria recebido promessa de cerca de R$ 146 milhões em propina, incluindo imóveis de luxo em Brasília e São Paulo, em troca da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito supostamente fraudulentas do Banco Master.

Ao decretar a prisão preventiva de Costa, André Mendonça afirmou que o executivo representava risco à produção de provas e poderia voltar a atuar para ocultar patrimônio e reorganizar o esquema investigado. Na decisão, o ministro descreveu o ex-dirigente do BRB como uma “peça essencial” da operação.

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