Parece gripe: o risco silencioso do hantavírus no Brasil

Parece gripe: o risco silencioso do hantavírus no Brasil

A confirmação de uma morte por hantavirose em Minas Gerais, três meses após o óbito ocorrido em fevereiro, recolocou a doença no centro das atenções no Brasil. O caso foi confirmado pelas autoridades de saúde nesta segunda-feira (11) e expôs a dificuldade de diagnóstico da infecção, que muitas vezes apresenta sintomas semelhantes aos de gripe ou dengue. Em boa parte dos registros brasileiros, a confirmação só ocorre após a morte do paciente.

A hantavirose é causada por vírus transmitidos principalmente por roedores silvestres. A infecção acontece pelo contato com urina, fezes e saliva contaminadas ou pela inalação de partículas suspensas no ar em locais fechados, como depósitos, galpões e paióis.

Segundo o Ministério da Saúde, a taxa média de letalidade da doença no Brasil é de 46,5%, embora especialistas apontem possibilidade de subnotificação dos casos. O tema ganhou repercussão internacional após um surto registrado no navio holandês MV Hondius, que fazia uma expedição entre Ushuaia, na Argentina, e a Antártida.

Oito passageiros adoeceram e três morreram. Foi o primeiro registro de um surto de hantavírus em uma embarcação. A OMS classificou o risco para a população em geral como baixo, mas portos europeus chegaram a recusar a entrada do navio.

Existem mais de vinte variantes conhecidas de hantavírus no mundo. A maior parte delas não é transmitida entre pessoas. A exceção é o vírus Andes, encontrado na Argentina e no Chile, que já teve registros raros de transmissão humana em situações de contato próximo e prolongado.

Esse foi o tipo identificado no surto relacionado ao MV Hondius. Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dores no corpo, dor de cabeça, náusea e vômito.

Em poucos dias, porém, o quadro pode evoluir rapidamente para falta de ar, queda de pressão e insuficiência cardíaca e pulmonar, condição conhecida como síndrome cardiopulmonar por hantavírus. Não existe antiviral específico para tratamento, e os pacientes graves dependem de suporte intensivo em UTI.

No Brasil, o primeiro caso foi registrado em 1993, em Juquitiba, no interior de São Paulo. Entre 2013 e 2023, o Ministério da Saúde contabilizou mais de 13 mil notificações suspeitas e 758 casos confirmados. Quase 40% dos pacientes morreram. Em alguns estados, a taxa de letalidade ultrapassou 50%.

As variantes brasileiras receberam nomes ligados às regiões onde foram identificadas, como Araraquara, Juquitiba, Castelo dos Sonhos, Anajatuba, Laguna Negra e Rio Mamoré. A variante Araraquara, encontrada no Cerrado, é considerada uma das mais agressivas.

O Sul concentra a maior quantidade de casos, enquanto o Centro-Oeste registra proporcionalmente mais mortes. Os casos brasileiros costumam estar ligados a atividades rurais.

A maioria das infecções ocorre em homens entre 20 e 39 anos durante limpeza de galpões fechados, manuseio de grãos e contato com áreas infestadas por ratos silvestres. Autoridades de saúde reforçam que, para moradores de centros urbanos sem contato com ambientes rurais contaminados, o risco permanece baixo. As informações são do DCM

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