Muito além do caso Master, o que nos desafia é o sistema improdutivo de apropriação de excedente social, daquilo que a sociedade produz, por pessoas ou grupos, que podemos qualificar de parasitas
Nós devemos a Ladislau Dowbor a melhor compreensão da financeirização da economia, um fenômeno econômico contemporâneo fundamental.
Ele aborda agora, em artigo publicado no Le Monde Diplomatique, o caso do Banco Master. Neste caso, segundo ele, é evidente que quando um governo combate a corrupção, ela vem à tona porque é revelada, enquanto o governo corrupto, que a gerou e tolerou, fez o tema sumir do mapa.
As fortunas, como as de Jorge Lemann, continuam, mas as bandidagens em outra escala têm suficiente força para torná-las legais. Para termos consciência da dimensão do problema, os juros de 15% sobre a dívida pública representam um gigantesco dreno sobre nossos impostos, da ordem de um trilhão de reais, cerca de sete vezes o bolsa família.
Aqui, a corrupção, a partir de um certo nível, torna-se sistêmica. As empresas que compram ou financiam os políticos são mais limpas? pergunta ele. Quanto mais ricos os personagens, mais eles tem espaço para enriquecer e, inclusive, para se sentir acima da lei.
Muito além do caso Master, o que nos desafia é o sistema improdutivo de apropriação de excedente social, daquilo que a sociedade produz, por pessoas ou grupos, que podemos qualificar de parasitas, que não só enriquecem sem contribuir, como também deformam a governança e travam o desenvolvimento.
Sociedades mais igualitárias crescem mais rápido e de forma mais sustentável do que as menos iguais e tem maior mobilidade social.
O Brasil aparece como o pais mais desigual do planeta em termos de riqueza. Na lista dos 300 bilionários da Forbes, contam-se nos dedos os que fazem algo de útil. Drenam. Mas de preferência de forma legal. E ficam chocados quando alguém ultrapassa a linha.
Por Emir Sader
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