Vivam para trabalhar e trabalhem até morrer
Luciano Hang, mais conhecido como Véio da Havan está novamente ameaçando tirar suas lojas de quinquilharias do Brasil. Como se diz por aí, duvideodó.
Primeiro que ninguém desmonta 190 lojas em curto espaço de tempo e em segundo, onde o Véio iria abrir lojas com o lucro obtém no Brasil? No Paraguai onde o Guarani custa 1 194,46 e a população local já dispõe de produtos de baixo custo importados da Ásia, ou na Argentina com a economia em recessão, onde mais de 24 mil empresas fecharam?
Isso não é ameaça. É balela.
Só em 2025, as lojas Havan registraram R$ 13,7 bilhões em receita líquida e R$ 3,5 bilhões em lucro líquido.
Vai abandonar esse quinhão? Vai nada!
Acostumado a dar ordens ao seu batalhão de “serviçais”, Hang já foi multado pela justiça do trabalho por não permitir que seus funcionários sentassem em horário de trabalho. Mesmo que não tivessem nada para fazer. Ele também demitiu um funcionário por este ter registrado um B.O contra um cliente que o agrediu físicamente. Isto é o bilionário que fez lobby para taxar as compras internacionais com valor inferior a U$ 50, a famosa taxa das blusinhas.
Mesmo sentado sobre bilhões, Hang diz que a redução da jornada de trabalho aumentaria os custos da empresa entre 15% e 20%. Incorpora a Mãe Dinah e prevê uma “quebradeira” de pequenos e médios varejistas. Também ameaça jogar a conta nos preços: “Do couro sai a correia. Esses custos que vão ser colocados para a indústria, comércio e serviços serão repassados nos preços.” Ou seja: o velho discurso patronal de sempre. Quando se trata de cortar direitos, os empresários falam em “modernização”. Quando se trata de reduzir a jornada e contratar mais trabalhadores, anunciam o apocalipse.
Para os Hangs não é a vida de milhões de trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas, sem tempo para descanso, lazer, estudo, convivência familiar ou participação política que constitui a verdadeira desgraça. A tragédia, para eles é que seus funcionários possam trabalhar menos sem redução salarial. É que mulheres tenham direito a folgar em alguns domingos. É que a classe trabalhadora deixe de viver apenas para bater ponto, vender, empacotar, atender e enriquecer patrões como ele.
A empresa dele tem ainda três aviões – incluindo um Global 6000, que custou R$ 250 milhões no câmbio de 2019 – e dois helicópteros.
“Luciano Hang, o velho da Havan, ostenta nas suas lojas a estátua da liberdade, mas deveria erguer a bandeira dos confederados, os escravocratas derrotados na guerra civil dos EUA que aboliu a escravidão. Em entrevista à Folha, o empresário criticou até a folga das mulheres aos domingos”, cita o Esquerda Diário.
O fim da escala 6×1 é uma reivindicação elementar diante da superexploração que marca a vida de milhões de trabalhadores no comércio, nos serviços, nos supermercados, nos shoppings, nos aplicativos e em tantos outros setores. Reduzir a jornada sem reduzir salários é uma medida mínima frente aos lucros bilionários de empresas como a Havan.
Sobre o Acre
Em 2017 ele abriu uma loja no Acre só para provar uma tese: “Se eu conseguisse levar uma carreta de produtos de Santa Catarina para o Acre e ainda assim rentabilizar essa loja, eu podia crescer em qualquer lugar”.
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