Governo apresenta ações de prevenção e monitoramento diante do cenário de super El Niño

Governo apresenta ações de prevenção e monitoramento diante do cenário de super El Niño

O governo do Acre participou nesta terça-feira, 23, da palestra “O super El Niño e os riscos para a Amazônia acreana”, realizada no Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE), em Rio Branco. O evento reuniu servidores do TCE, Ministério Público de Contas, órgãos estaduais e municipais, além de representantes da sociedade civil, para discutir os impactos do fenômeno climático e as estratégias de prevenção adotadas pelo Estado.

Durante a programação, a bióloga e doutora em Ciências da Engenharia Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), Vera Reis Brown, abordou os efeitos do El Niño sobre a Amazônia, especialmente na região sudoeste, onde o Acre está inserido. A especialista destacou que o fenômeno tende a reduzir o volume de chuvas, elevar as temperaturas e prolongar os períodos de estiagem, aumentando o risco de queimadas, incêndios florestais e escassez hídrica.

Na oportunidade, o presidente do Imac entregou para a presidente do TCE, Dulce Benício de Araújo, o panorama climático do instituto para 2026/2027 e as ações que vêm sendo implementadas para minimizar os impactos da seca severa prevista para os próximos meses. O documento foi elaborado pelo chefe da Divisão de Inteligência e Monitoramento Ambiental do Imac (Dima), Saine Leonam Kador Fortes, que detalhou o planejamento operacional da autarquia e os investimentos em inteligência ambiental.

De acordo com os dados apresentados, o El Niño já está em formação e foi confirmado por órgãos nacionais e internacionais, com fortalecimento previsto para o segundo semestre deste ano. A probabilidade de ocorrência do fenômeno entre junho e agosto varia entre 80% e 90%, enquanto as projeções indicam 99,4% de chance de um evento forte entre julho e setembro.

A pesquisadora falou sobre o super El Niño e os riscos para a Amazônia acreana, os impactos climáticos do fenômeno, o aumento da frequência de eventos extremos, as mudanças no regime de chuvas, secas severas, queimadas, efeitos sobre rios, florestas e comunidades amazônicas.

“O super El Niño é um fenômeno que exige atenção permanente, porque seus impactos vão muito além das alterações no clima. Estamos observando o aumento da frequência de eventos extremos, mudanças no regime de chuvas, secas severas e o agravamento das queimadas, com reflexos diretos sobre os rios, as florestas e as comunidades amazônicas. Por isso, é extremamente importante que as discussões sobre eventos climáticos extremos sejam ampliadas e diversificadas em todos os segmentos sociais, para que as informações e os conhecimentos gerados sirvam de subsídio para políticas públicas de conservação da Amazônia e para o desenvolvimento dos mecanismos de adaptação necessários.”

Para enfrentar esse cenário, o governo do Estado estruturou uma resposta baseada em cinco frentes integradas: planejamento operacional, cooperação interinstitucional, embargo remoto, sistema de monitoramento e fortalecimento da Divisão de Inteligência e Monitoramento Ambiental.

Entre as ações já executadas em 2026, o Imac registrou 95 autos de infração, aplicou R$ 7,16 milhões em multas e embargou 548 hectares de áreas irregulares. As operações de fiscalização e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais têm priorizado as regionais do Juruá, Tarauacá-Envira, Purus, Baixo Acre e Alto Acre, consideradas áreas de maior pressão ambiental.

A pesquisadora, que fez um panorama explicativo científico aos presentes, afirmou que é possível mitigar os impactos das mudanças climáticas, mas que é preciso união.

“O governo tem obrigação de fazer a sua parte, investindo no monitoramento desses eventos e no auxílio à população, mas cada cidadão também pode contribuir. Cuidar do meio ambiente é uma responsabilidade coletiva e uma das formas mais eficazes de reduzir os impactos das mudanças climáticas. Somente com a união entre poder público, comunidade científica e sociedade conseguiremos fortalecer a gestão de riscos e construir respostas mais eficientes diante dos desafios impostos pelos eventos climáticos extremos”, complementou.

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