Mesmo antes da posse, presidente eleito confirma acordo com Washington para instalar em Medellín a sede colombiana da coalizão militar criada por Donald Trump. Petro diz que Colômbia vai virar “vice-reinado” com país perdendo soberania
Mesmo sem ainda tomar posse do cargo, o presidente eleito da Colômbia Abelardo De la Espriella, concedeu a Donald Trump uma recompensa por seu apoio: “Medellín será a sede do Escudo das Américas na Colômbia”.
Ele justificou sua decisão afirmando que essa será a estratégia para combater o narcotráfico e o terrorismo na região. “Medellín foi escolhida porque ali operam alguns dos principais chefes de estruturas criminosas do país”, explicou.
Embora tome posse do cargo apenas no próximo dia 7 de agosto, De la Espriella já começou a tomar decisões que revelam sua inclinação ao governo dos Estados Unidos, país ao qual “deve lealdade”, conforme declarou quando adotou a nacionalidade estadunidense.
“Vamos instalar a sede principal do Escudo das Américas, por meio de um acordo com os Estados Unidos para o combate ao narcotráfico, e a sede será Medellín, porque aqui está a cabeça da serpente do narcotráfico e do crime organizado”, argumentou o presidente eleito em uma reunião com as autoridades locais do departamento de Antioquia.
Antioquia e sua capital, Medellín, localizada a aproximadamente 550 quilômetros a noroeste de Bogotá, constituem uma região considerada próspera e industrial, mas que, ao mesmo tempo, é o berço de duas organizações criminosas que semearam o terror no país: o Cartel de Medellín, nos anos 1980, e os grupos paramilitares, nos anos 1990.
Segundo De la Espriella, as estruturas criminosas que, a partir dali, espalham seus crimes para o restante do país “estão com os dias contados. Ou se submetem ou serão abatidas, como determina a lei”, sentenciou.
Com o Escudo das Américas, consolida-se a “Estratégia de Segurança Nacional”, divulgada pelos Estados Unidos em 30 de novembro de 2025, cujo objetivo é impulsionar uma coalizão militar de combate ao terrorismo e ao narcotráfico na região, ou hemisfério ocidental, conter a imigração irregular e, consequentemente, contrabalançar a influência comercial da China na América Latina.
O presidente Gustavo Petro, que deixará o cargo em 7 de agosto, previu nesta segunda-feira, em praça pública, diante de milhares de apoiadores, que “a Colômbia deixará de ser um país soberano a partir deste 7 de agosto”.
Ele assegurou que Abelardo De la Espriella “será um servo dos Estados Unidos. Passaremos da condição de república à de vice-reinado” e acrescentou: “Trump e Rubio mandarão”, em referência também ao secretário de Estado, Marco Rubio.
Um empresário, próximo embaixador no México
O empresário Mauricio Tobón Franco anunciou na rede social X (ex-Twitter) que De la Espriella o nomeou próximo embaixador no México, “país com o qual nossa pátria manteve, ao longo da história, uma fraterna irmandade. Serei o representante de 50 milhões de colombianos perante o México e meu objetivo será fortalecer o intercâmbio comercial, cultural e tecnológico entre as duas nações”. As informações são do La Jornada
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