Ao justificar a decisão, o presidente eleito classificou os governos cubano e nicaraguense como “tiranias” e afirmou que não manterá relações políticas com os dois países. O rompimento representa uma ruptura com a tradição colombiana de preservar canais diplomáticos mesmo em momentos de divergência política.
Cuba desempenhou um papel importante nas negociações que levaram ao acordo de paz de 2016 entre o Estado colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. O país também participou de outros esforços diplomáticos destinados a reduzir a violência política e os conflitos armados na Colômbia.
Reestruturação da rede diplomática
De la Espriella anunciou ainda a unificação das missões diplomáticas colombianas na França e na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco. Medida semelhante será adotada na Itália, onde serão integradas as representações junto ao governo italiano e à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO.
A justificativa oficial é reduzir os custos de funcionamento da estrutura diplomática colombiana. O futuro governo pretende transformar as embaixadas mantidas no exterior em instrumentos voltados principalmente à atração de investimentos e à promoção comercial.
A decisão, no entanto, reduz a presença diplomática da Colômbia em regiões estratégicas da África, da Ásia, da Europa e do Caribe. Entre as representações que serão fechadas está a embaixada na África do Sul, uma das principais economias africanas e integrante do BRICS.
Alinhamento com a extrema-direita internacional
As medidas fazem parte de uma mudança mais ampla na inserção internacional da Colômbia. De la Espriella pretende estreitar os vínculos com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos e com governos de direita e extrema-direita na América Latina e em outras regiões.
O futuro presidente também busca reconstruir a relação com Israel e abandonar a posição crítica adotada pelo governo Petro diante da ofensiva israelense na Faixa de Gaza. A suspensão da abertura da embaixada colombiana na Palestina é um dos primeiros sinais concretos dessa guinada.
A escolha de Omar Bula Escobar para comandar o Ministério das Relações Exteriores também aponta para uma política externa mais próxima do trumpismo e de governos conservadores. A agenda anunciada pelo presidente eleito prioriza as relações com Estados Unidos, Israel e administrações latino-americanas identificadas com a direita.
Mudança de rumo após o governo Petro
Durante o governo de Gustavo Petro, a Colômbia buscou diversificar suas relações internacionais, ampliar a aproximação com países do Sul Global e desempenhar um papel mais ativo nos debates sobre paz, integração regional, mudanças climáticas e reforma da governança mundial.
A futura administração pretende substituir essa orientação por uma política externa mais diretamente subordinada às alianças ideológicas do novo presidente. O fechamento de embaixadas em países africanos, asiáticos e latino-americanos indica uma redução do alcance global da diplomacia colombiana.
Ao mesmo tempo, a ruptura com Cuba e Nicarágua e a paralisação da representação diplomática na Palestina reforçam o caráter político da reorganização. Mais do que uma simples medida de redução de gastos, o anúncio representa a primeira grande manifestação da guinada da Colômbia em direção à extrema-direita internacional.