O Pix entrou na mira do governo Donald Trump ao ser usado pelos Estados Unidos como um dos argumentos para aprovar uma sobretaxa de 25% sobre exportações brasileiras. A ofensiva americana ocorre enquanto a União Europeia avança com o euro digital, projeto que tem como objetivo declarado reduzir a dependência de provedores de pagamentos dos EUA.
A Casa Branca alega que o Pix prejudica empresas americanas porque funciona em uma infraestrutura operada e regulada pelo governo brasileiro. O governo Trump também sustenta que exigir de companhias dos EUA a oferta do Pix configuraria uma prática desleal de comércio.
No Brasil, o Pix foi lançado em 2020 como ferramenta para ampliar o acesso da população a meios de pagamento. Sistemas instantâneos ou públicos de pagamento, porém, não são exclusividade brasileira, e iniciativas semelhantes ganharam força em outros mercados.
A proposta de criar um euro digital surgiu em 2020, mas ganhou impulso na União Europeia neste ano, em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos sob Trump. Em junho, a Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou um plano para versões online e offline da moeda digital.
Banco Central Europeu prepara teste do euro digital para 2027
O Banco Central Europeu pretende lançar o euro digital de forma experimental em 2027 e colocá-lo em circulação até 2029. Nesta semana, o BCE selecionou 36 prestadores de serviços de pagamento, entre eles Deutsche Bank e UniCredit, para iniciar o teste piloto.
Alessandro Giovannini, assessor do projeto de euro digital no BCE, afirmou que “quase dois terços dos pagamentos com cartão na zona do euro são processados por empresas não-europeias”. Ele também disse que 13 dos 21 países da zona do euro não têm um sistema nacional de cartões para pagamentos cotidianos em lojas físicas ou pela internet.
Giovannini defendeu a moeda digital europeia como instrumento de soberania financeira. “O euro digital reduzirá a dependência de soluções não europeias. Nenhuma outra iniciativa tem a mesma ambição de fortalecer, de forma estrutural, a soberania europeia”, afirmou.
Além das bandeiras Visa e Mastercard, carteiras digitais populares como Apple Pay, Google Pay e PayPal também pertencem a empresas americanas. A expansão das stablecoins, em sua maioria denominadas em dólares e promovidas por Trump, aumentou a preocupação de governos europeus.
Autoridades europeias também levaram em conta sanções americanas aplicadas no ano passado contra juízes do Tribunal Penal Internacional, entre eles o francês Nicolas Guillou, que ficou impedido de usar seu cartão Visa. Desde a proposta apresentada pela Comissão Europeia em 2023, os Estados-membros levaram mais de dois anos para chegar a uma posição comum, e prevaleceu a decisão de deixar o BCE no comando da infraestrutura; no Brasil, a infraestrutura do Pix também é pública e fica sob responsabilidade do Banco Central. Com informações do DCM
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