Mudanças climáticas: favorecida pelo aquecimento das águas ameba comedora de cérebro se espalha pelo mundo

Mudanças climáticas: favorecida pelo aquecimento das águas ameba comedora de cérebro se espalha pelo mundo

O microrganismo vive, principalmente, em águas doces aquecidas, como lagos, rios, fontes termais e piscinas sem manutenção

A Naegleria fowleri, conhecida como “ameba comedora de cérebro”, vem sendo identificada em um número crescente de locais, inclusive em regiões onde antes praticamente não era encontrada.

O microrganismo vive, principalmente, em águas doces aquecidas, como lagos, rios, fontes termais e piscinas sem manutenção. A infecção acontece quando a água contaminada entra pelo nariz, permitindo que a ameba alcance o cérebro e provoque uma grave inflamação.

Os primeiros sintomas costumam incluir dor de cabeça, febre, náuseas e vômitos, mas o quadro pode evoluir rapidamente para confusão mental, convulsões e morte. Historicamente, a taxa de sobrevivência é muito baixa (apenas 3%),  embora estudos recentes indiquem que o diagnóstico precoce e o tratamento imediato possam aumentar as chances de recuperação.

Especialistas avaliam que o aumento da temperatura das águas, associado às mudanças climáticas e ao avanço dos métodos de diagnóstico, pode explicar o crescimento dos registros da doença em diferentes partes do planeta. Em 2025, a Índia enfrentou o maior surto já documentado, enquanto casos isolados também foram registrados em outros países, incluindo o Brasil.

Apesar de o risco de infecção continuar sendo considerado extremamente baixo, médicos recomendam cuidados ao nadar em águas doces quentes, especialmente evitando que a água entre pelas narinas. Outra orientação importante é nunca utilizar água da torneira para lavagem nasal, optando apenas por água esterilizada, destilada ou previamente fervida e resfriada.

Embora seja uma doença rara, a rapidez com que a infecção evolui faz com que a prevenção seja a principal forma de proteção.

Comedora de cérebro

A Naegleria fowleri é uma ameba microscópica (protozoário que consiste em um organismo vivo unicelular) e costuma ser chamada de “ameba comedora de cérebros” porque pode causar uma grave infecção cerebral. Essa ameba sobe pelo nariz até o cérebro,  destrói o tecido cerebral e causa uma infecção chamada meningoencefalite amebiana primária (MAP), que geralmente é fatal. A taxa de mortalidade relatada pela agência dos Estados Unidos é superior a 97%.

Sintomas da infecção 

Os sintomas durante os estágios iniciais podem ser semelhantes aos da meningite bacteriana, geralmente começando cerca de cinco dias após a infecção e incluem dor de cabeça, febre, náusea ou vômito.

Os sintomas posteriores podem incluir rigidez no pescoço, confusão, desatenção às pessoas e ao ambiente, convulsões, alucinações e coma, segundo a agência de saúde dos Estados Unidos. Uma vez iniciados os sinais, a doença progride rapidamente.

Como a MAP é muito rara e progride rapidamente, a identificação de tratamentos eficazes é complexa. No entanto, acredita-se que certos medicamentos possam funcionar, algo que os especialistas ainda estão aprendendo.

Como prevenir 

Para prevenir a infecção, os CDC recomendam evitar pular ou mergulhar em lugares de água doce que sejam mornos; manter a cabeça fora da água em locais designados; não submergir a cabeça em fontes termais e outras águas geotérmicas não tratadas; e evitar cavar ou remexer sedimentos em água doce quente e rasa.

Onde essa ameba é encontrada

Essa ameba em particular é um organismo termofílico, o que significa que ela se desenvolve no calor. Ela vive em água doce, não em água salgada como o mar, e está presente em solos de todo o mundo.

Portanto, a Naegleria fowleri pode ser encontrada em lagos, rios, fontes termais, descargas de água quente de usinas industriais ou de geração de energia, piscinas ou outros locais de recreação que não são bem mantidos ou não são suficientemente clorados, água da torneira, solo, sedimentos no fundo de lagos, lagoas e rios.

Como a mudança climática pode aumentar o risco de infecção pela ameba “comedora de cérebro”

Como essa ameba adora o calor, é provável que a mudança climática torne as infecções por Naegleria fowleri mais comuns, como os CDC apontam. Isso porque com o aumento da temperatura do ar, a temperatura da água em lagos e lagoas também aumenta.

“Essas condições proporcionam um ambiente mais favorável ao crescimento da ameba. As ondas de calor, quando as temperaturas do ar e da água ficam mais altas do que o normal, também podem permitir que as amebas se desenvolvam”, acrescentam os CDC.

Criança morre após contrair ameba ‘comedora de cérebro’ em RO

Em maio deste ano uma criança de nove anos morreu após contrair a infecção causada pela ameba “comedora de cérebro” em Rondônia. A vítima era de Machadinho D’Oeste (RO) e estava internada no Hospital Regional de Cacoal (RO).

O diagnóstico da doença foi confirmado em 10 de abril, após análises laboratoriais. No entanto, a criança morreu no dia 3 de abril, antes da confirmação do caso. A investigação epidemiológica foi realizada pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia (Agevisa).

Em 2024  uma criança de 1 ano e 3 meses, de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, faleceu sete dias após contrair a infecção pela ameba. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual da Saúde do Ceará.

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