Sujeita a terremotos: cidade do Acre está em uma área sismicamente ativa e sobre potencial falha geológica,

Sujeita a terremotos: cidade do Acre está em uma área sismicamente ativa e sobre potencial falha geológica,

O município de Tarauacá, no noroeste do Acre, está inserido em uma área sismicamente ativa e sobre uma potencial falha geológica, afirma um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (UFAC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Segundo o estudo, sob Tarauacá haveria uma grande estrutura geológica até então não descrita, a Falha de Tarauacá, que seria responsável por parte dos tremores frequentes do território.

Os pesquisadores analisaram registros de terremotos ocorridos desde a década de 1950 a partir de dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e os catalogaram de acordo com sua localização, profundidade, magnitude e distribuição temporal, a fim de produzir mapas que identificassem as regiões mais sismicamente vulneráveis.

O Acre, com eventos associados principalmente à dinâmica da Placa de Nazca, que mergulha sob a Placa Sul-Americana na região dos Andes e do oeste do continente, seria um dos estados brasileiros mais afetados por esses movimentos.

A Falha de Tarauacá surge, então, como uma hipótese baseada no mapa de eventos sísmicos construído para a região. A falha dividiria o território acreano em duas unidades tectônicas: a Placa do Juruá e a Placa do Purus.

O Brasil está localizado, em grande parte, no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais bordas tectônicas do planeta, o que reduz a ocorrência de sismos no país.

O Acre, no entanto, tem a oeste a Placa de Nazca, que mergulha sob a Placa Sul-Americana em um processo conhecido como subducção. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a Placa de Nazca se desloca aproximadamente de 65 a 80 milímetros por ano em relação à Placa Sul-Americana.

Em janeiro de 2024, um terremoto de magnitude 6,6 foi registrado na região de Tarauacá, a cerca de 614 quilômetros de profundidade. Embora tenha tido pouco efeito na superfície, a ocorrência de atividades sísmicas na região está associada à Placa de Nazca.

Já em abril de 2023, outro terremoto foi registrado a 156 quilômetros ao sul-sudoeste de Tarauacá, com magnitude 5,1 e profundidade de 560,1 quilômetros.

Ao mapear os eventos catalogados entre 1950 e 2016, os pesquisadores identificaram uma concentração de terremotos na região de Tarauacá.

O estudo identificou uma intensificação da atividade sísmica principalmente a partir da década de 1980. O ano de 2015 foi apontado como o mais ativo do intervalo analisado, com 17 terremotos registrados. Entre 2013 e 2016, foram contabilizados 21 eventos, o maior número entre os períodos comparados pelos autores.

O maior terremoto já registrado no Brasil ocorreu na madrugada de 31 de janeiro de 1955, na Serra do Tombador, em Mato Grosso, e levou tremores de baixa intensidade inclusive ao estado do Tocantins e à faixa litorânea do Rio de Janeiro.

Com intensidade VII na Escala Mercalli Modificada, que vai de I a XII de acordo com os efeitos observados nas pessoas, nos prédios e no solo, o terremoto teve magnitude 6,2 e ocorreu a 10 quilômetros de profundidade, evento considerado raso e, portanto, com maior potencial de produzir efeitos na superfície.

O tremor ocorreu no interior da Placa Sul-Americana, sem relação com um movimento de subducção, sendo considerado um fenômeno incomum: um terremoto intraplaca.

Apesar de, em 2019, a cidade de Tarauacá ter sofrido um tremor de magnitude 6,8, ele não foi considerado mais intenso do que o terremoto de Mato Grosso devido à ocorrência na estrutura geológica da Cordilheira dos Andes, ou seja, fora da placa interna ao Brasil. Com informações da Fórum

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