Argentinos não aguentam mais Milei e querem mudança

Argentinos não aguentam mais Milei e querem mudança

Pesquisa mostra que 61,9% da população deseja um novo governo, 65% desaprovam a gestão de Javier Milei e 77% rejeitam a venda de terras para investidores estrangeiros

 Uma pesquisa divulgada pelo Página/12 indica um cenário de crescente desgaste do governo do presidente argentino Javier Milei. Segundo o levantamento, 61,9% dos entrevistados afirmam que votariam por uma mudança de governo, refletindo a percepção de que a atual administração não conseguiu responder às principais demandas econômicas e sociais do país.

O estudo revela ainda que 65% desaprovam a gestão de Milei, enquanto a maioria dos argentinos considera que a situação econômica piorou desde o início do mandato. Os números sugerem uma deterioração da confiança popular justamente no terceiro ano de governo, período em que a população esperava resultados mais concretos das políticas econômicas implementadas pela Casa Rosada.

Economia continua sendo o principal fator de desgaste

A economia permanece como o maior desafio para o governo. De acordo com a pesquisa, 53,9% dos entrevistados afirmam que a situação econômica está pior do que quando Milei assumiu a Presidência, indicando que a recuperação frequentemente destacada pelo governo ainda não foi percebida pela maior parte da sociedade.

O levantamento também mostra que 64% acreditam que a Argentina precisa mudar sua direção política, entendendo que um novo rumo seria necessário para recuperar o crescimento, melhorar a qualidade de vida e cumprir promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Soberania mobiliza ampla maioria

Um dos dados mais expressivos da pesquisa diz respeito à proposta de flexibilizar a aquisição de terras por investidores estrangeiros.

Segundo o levantamento, 77% dos argentinos rejeitam a venda de terras para estrangeiros, por entenderem que a medida compromete a soberania nacional e pode colocar em risco o controle sobre recursos naturais e áreas estratégicas do país.

A questão tornou-se um dos temas centrais do debate político argentino e evidencia que, mesmo entre setores que apoiam reformas econômicas, existe forte resistência quando elas envolvem patrimônio territorial e recursos considerados estratégicos.

Peronismo aparece à frente

No cenário eleitoral medido pela pesquisa, o peronismo lidera as intenções de voto com 31,3%, enquanto La Libertad Avanza, partido de Milei, registra 28%.

Embora a diferença permaneça pequena, os números indicam uma disputa aberta e mostram que o governo enfrenta um ambiente político mais competitivo do que nos primeiros meses de mandato.

Polarização e influência das redes

O estudo também aponta para o crescimento de movimentos conservadores e regressivos nas redes sociais, especialmente da chamada “manosfera”, conjunto de comunidades digitais que difundem discursos ultraconservadores sobre política, relações de gênero e costumes.

Segundo a análise publicada pelo Página/12, esse ambiente digital tem influenciado parte do debate público argentino e mantém conexões ideológicas com lideranças da nova direita internacional, como Javier Milei e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Insatisfação crescente

O conjunto dos dados revela um quadro de elevada polarização, mas também de aumento da insatisfação popular. A maioria dos argentinos afirma desejar uma mudança de governo, desaprova a administração atual e demonstra preocupação tanto com a deterioração das condições econômicas quanto com temas ligados à soberania nacional.

A poucos meses do início do calendário eleitoral, a pesquisa sugere que o governo Milei enfrentará uma disputa mais difícil do que a observada em sua chegada ao poder, em um contexto marcado por pressões econômicas, desgaste político e crescente demanda social por mudanças.

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