Bolívia envia mais de 200 militares à fronteira com o Brasil por causa de guerra entre PCC e CV

Bolívia envia mais de 200 militares à fronteira com o Brasil por causa de guerra entre PCC e CV

A Bolívia reforçou a segurança na fronteira com o Brasil após uma escalada da violência atribuída à disputa entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) pelo controle de uma rota estratégica do narcotráfico.

Mais de 200 militares foram enviados ao município de San Matías, na fronteira com o Mato Grosso depois que nove pessoas foram mortas em menos de uma semana, entre elas um tenente da polícia boliviana.

O subcomandante da Polícia de Santa Cruz, Juan Carlos Rebollo, informou que o contingente chegou à região na noite de segunda-feira e já realiza operações de patrulhamento, buscas, rastreamento e controles preventivos para tentar conter a violência.

Segundo as autoridades bolivianas, os confrontos são consequência da disputa entre as duas maiores facções criminosas do Brasil pelo domínio de um corredor usado para o transporte internacional de cocaína.

O ministro da Defesa da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, afirmou que o governo não permitirá que as organizações ampliem sua influência no país.

“O Comando Vermelho e o PCC estão disputando hoje um corredor pelo qual os narcotraficantes enviam drogas para o exterior. Isso não ficará assim. Vamos combater isso”, declarou.

Desde que Rodrigo Paz, de centro-direita, assumiu a Presidência da Bolívia, em novembro de 2025, o país passou por uma profunda mudança em sua política externa. O novo governo abandonou o alinhamento mantido durante quase duas décadas pelos governos do Movimento ao Socialismo (MAS) e iniciou uma reaproximação estratégica com os Estados Unidos.

Como parte dessa guinada, La Paz e Washington retomaram o processo de normalização das relações diplomáticas e assinaram o primeiro acordo bilateral de cooperação antidrogas em quase 20 anos. Pelo pacto, os Estados Unidos destinaram cerca de US$ 20 milhões para treinamento e aparelhamento das forças de segurança bolivianas, além de ações voltadas ao combate ao narcotráfico.

A Bolívia também aderiu ao Escudo das Américas, iniciativa regional de segurança apoiada pelos Estados Unidos para intensificar a cooperação entre países latino-americanos no enfrentamento ao crime organizado transnacional e às organizações ligadas ao tráfico de drogas.

Corredor estratégico do tráfico

A fronteira entre Brasil e Bolívia é considerada uma das principais rotas de escoamento da cocaína produzida na região andina.

De acordo com estimativas das Nações Unidas, cerca de 80 toneladas de cocaína atravessam anualmente a fronteira entre os dois países, tornando a área um dos corredores mais estratégicos para o narcotráfico na América do Sul.

As autoridades bolivianas associam a recente onda de assassinatos justamente à tentativa de PCC e Comando Vermelho de assumir o controle dessas rotas, utilizadas para abastecer mercados internacionais.

Além das nove mortes registradas em menos de sete dias, a violência atingiu diretamente as forças de segurança, com a morte de um oficial da Polícia durante os confrontos.

O governo boliviano afirmou que manterá o reforço policial na região e promete ampliar as operações para impedir o avanço das facções brasileiras em território boliviano.

Por Kiko Nogueira

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