Equipes de resgate correm contra o tempo para encontrar sobreviventes sob os escombros
As equipes de resgate na Colômbia intensificaram, nas primeiras horas desta quinta-feira (13), os trabalhos de busca por sobreviventes do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país. A operação ocorre no momento crítico em que se aproxima o encerramento das primeiras 72 horas após o abalo — janela temporal apontada pelos especialistas como a mais propícia para localizar pessoas com vida sob os escombros —, informa a agência AFP.
De acordo com o balanço mais recente divulgado pelas autoridades governamentais, o número de mortos subiu para 265 pessoas. Trata-se do terremoto mais forte a atingir a Colômbia neste século. Além dos óbitos confirmados, o desastre deixa um saldo de mais de 3,5 mil feridos e quase 500 pessoas que permanecem desaparecidas.
Em cidades como Cali, um dos maiores centros urbanos do país, e Pereira, situada na tradicional região produtora de café, os socorristas e voluntários enfrentaram a terceira noite consecutiva de trabalho ininterrupto. Com o auxílio de guindastes e cães farejadores, as equipes interrompiam o maquinário periodicamente apenas para impor silêncio absoluto no perímetro das buscas, tentando captar qualquer sinal de vida vindo das ruínas.
Nesta quinta-feira, encerra-se o período limite de 72 horas desde o momento do sismo. Embora especialistas e autoridades ressaltem que resgates com vida ainda possam ocorrer após este prazo, as probabilidades de encontrar vítimas vivas caem drasticamente.
A angústia e a impotência tomam conta de familiares e moradores. Em Cali, Martha Perez aguardava por notícias de dois parentes que continuam presos sob os destroços. “Vamos nos agarrar à esperança até o fim”, declarou Perez à reportagem. No mesmo local, o voluntário de resgate Fernando Loaiza reforçou o sentimento coletivo: “Como vocês podem ver, todos nós aqui — toda a cidade de Cali — estamos esperando encontrar mais sobreviventes”. O prefeito do município, Alejandro Eder, confirmou que os esforços operacionais entram agora na sua fase final.
Diante do cenário de devastação, o recém-empossado presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, decretou situação de “emergência econômica” no país e anunciou três dias de luto nacional. Dados oficiais indicam que mais de 11 mil moradias foram completamente destruídas, deixando milhares de famílias desabrigadas.
Corridas contra o tempo e mobilização comunitária
Na cidade de Pereira, a atenção dos bombeiros e equipes de emergência concentrou-se nos destroços de uma padaria desabada. Aparelhos detectores de vibração registraram sinais que indicam a possível presença de vida de Pablo Loaiza, um vendedor ambulante preso desde o terremoto ocorrido na segunda-feira (10).
Ao pedirem para que o homem sob a estrutura batesse duas vezes e, em seguida, três vezes no concreto, os socorristas obtiveram resposta, o que gerou comoção e aplausos entre familiares e populares agrupados ao redor da área de isolamento. “Eles nos dizem que pode ser ele. Meu coração está prestes a sair do peito”, afirmou a sobrinha da vítima, Sara Loaiza, de 16 anos.
A voluntária Johana Sanchez explicou a dinâmica aplicada na área do desabamento. “A cada meia hora, fazemos com que todos fiquem em silêncio para ver se conseguimos encontrar pessoas vivas. Até agora, três pessoas foram retiradas com vida e três, mortas”, relatou.
O impacto socioeconômico e o drama humano se espalham por outras localidades. Em Roldanillo, a trabalhadora Yuliana Mendez vasculhava as ruínas da loja de produtos de beleza onde exercia suas funções. “É como começar tudo do zero”, desabafou. No bairro Providencia, em Pereira, a advogada Ana Paulina Crosthwaite retirava os pertences de seu imóvel condenado pelas autoridades de defesa civil. “Estamos em estado de choque. Não estamos preparados para dizer aos nossos filhos que precisamos juntar o que pudermos e começar uma nova vida”, disse.
A tragédia também gerou uma grande onda de solidariedade. Moradores de diversas regiões mobilizaram-se para entregar água, mantimentos e suprimentos essenciais às famílias mais atingidas, enquanto postos de doação de sangue registram longas filas. “É sobre querer ajudar sua comunidade, sua cidade e seu país”, sintetizou o doador Ferney Cabrera.
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