O jornalista Everton Damasceno do Contilnet analisou a desistência do deputado Luiz Gonzaga (MDB) em concorrer à reeleição como uma aposta frustrada de concorrentes dentro do MDB.
“Na verdade, a saída do experiente parlamentar da chapa prejudica — e muito — o sonho do MDB de conquistar pelo menos três cadeiras nas eleições de 2026. A capilaridade política de Gonzaga, que faz parte da Mesa Diretora da Aleac e é um dos parlamentares mais atuantes e presentes das últimas legislaturas, serviria — e muito — para que o partido alcançasse um coeficiente que lhe desse condições de abocanhar mais cadeiras na Casa do Povo”.
Fonte de dentro do MDB confidenciou ao jornalista: “São mais de 6 mil votos a menos na chapa, contando por baixo. Isso faz com que o partido dê adeus à terceira cadeira”.
Em entrevista ao ContilNet,o ex-presidente e atual primeiro-secretário da Assembleia Legislativa do Acre (ALEAC), pela segunda vez, confirmou que abriu mão da disputa por sentir-se desprestigiado pelo governo Mailza Assis(PP). Segundo ele, os recursos e toda a estrutura estão sendo direcionados para algumas candidaturas específicas: “Porque hoje a estrutura do governo do Estado está indo só para alguns parlamentares, inclusive para pessoas que nem mandato têm. Então, isso fica muito difícil, porque fica uma disputa desigual. Uns têm secretaria de porteira fechada, outros têm várias secretarias. Pessoas que nem são candidatas, nem têm mandato, também estão sendo muito beneficiadas…”.
Gonzaga não diz, mas pessoas próximas a ele confirmam as palavras do deputado e creditam ao atual companheiro da governadora Mailza Assis, Madson Camelí, o desgosto do deputado. Segundo estes, Madson escolheu alguns os pupilos que estão com secretarias de porta fechada e CECs. Aliás, os mais afoitos referem-se a Madson Camelí, como “o governador”. Não me perguntem nada. Estou vendendo o peixe pelo preço que comprei. E vocês sabem como é- jornalista tem ouvidos bem abertos.
De acordo com Everton Damasceno, “o recrutamento está acontecendo a pleno pulmão”.
Anos atrás o Padre Walmir que foi deputado por um mandato e depois sumiu da política e do Acre, me disse desencantado que ser político em muitos casos é viver na ilegalidade- para se eleger tem que comprar voto, o que é ilegal, porque o trabalho que se faz pelo coletivo não conta para reeleger e que no caso de se enquadrar nesse sistema, para obter de volta o dinheiro investido é preciso fazer manobras arriscadas, correndo riscos. Segundo ele, quem tem um nome a zelar não se submete a isso.
Luiz Gonzaga não é apenas mais um deputado. É um parlamentar com a experiência de cinco mandatos, com grande penetração em todo o Vale do Juruá e reconhecimento internacional, principalmente dos países vizinhos (Peru e Bolívia), Índia e China, em função de sua luta por intercâmbio comercial, integração latino-americana e desenvolvimento do Acre. Gonzaga é também conhecido em todo o Acre, inclusive em comunidades remotas que nunca deixou de frequentar.
Os eleitores fiéis de Gonzaga, aguardam a definição sobre quem vai apoiar para o governo do Acre, para segui-lo. Dadas as condições não surpreenderia ninguém se o deputado declarasse apoio a Alan Rick (Republicanos), principal adversário de Mailza Assis (PP). Se a previsão se concretizar, Luiz Gonzaga vai reencontrar no Republicanos, sua amiga Mara Rocha que integra a chapa de Alan como candidata ao Senado. Tudo em casa.
É a velha história repetida- não quer, tem quem quer. O problema é que em política isso pode ser fatal. Aguardemos.
