Do discurso anti-Israel ao alinhamento: a guinada sionista de Delcy na Venezuela

Do discurso anti-Israel ao alinhamento: a guinada sionista de Delcy na Venezuela

Venezuela e Israel decidiram restabelecer os serviços consulares e retomar a chamada “cooperação técnica bilateral”, dando um novo passo na normalização das relações entre os dois países, rompidas desde 2009. O anúncio foi feito na terça-feira (11) pelo Ministério das Relações Exteriores venezuelano.

A reaproximação ocorre durante o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após o sequestro de Nicolás Maduro em janeiro, em uma operação dos Estados Unidos, e passou a governar sob forte influência de Washington.

O acordo prevê a criação de um mecanismo de coordenação para permitir a prestação de serviços consulares e a continuidade da cooperação técnica relacionada aos trabalhos de emergência e reconstrução após os terremotos que atingiram a Venezuela em junho.

Segundo o chanceler venezuelano, Félix Plasencia, os dois governos concordaram em manter a cooperação iniciada após os terremotos, que deixaram mais de 6.300 mortos e provocaram ampla destruição no norte do país.

A aproximação representa uma mudança significativa na política externa venezuelana. As relações entre Caracas e Tel Aviv foram rompidas quando o então presidente Hugo Chávez expulsou o embaixador israelense em protesto contra a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza.

Naquele momento, Chávez acusou Israel de promover uma política de extermínio contra os palestinos e classificou a ofensiva como genocídio.

Rodríguez, que anteriormente fazia parte da estrutura política chavista, passou a conduzir uma administração que busca reconstruir relações com Washington e reduzir o isolamento internacional da Venezuela.

Em 4 de janeiro, um dia após a operação contra Maduro, ela afirmou que o ataque dos Estados Unidos tinha um “tom sionista” e prometeu que a Venezuela jamais voltaria a ser “escrava” de um império. Agora, seu governo avança na normalização das relações com Israel, principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio.

No domingo (9), Félix Plasencia recebeu o rabino-chefe da Associação Israelita da Venezuela, Isaac Cohen. O líder religioso defendeu a retomada das relações diplomáticas para facilitar o atendimento às necessidades da comunidade do país.

A retomada das relações com Israel vem no bojo de uma série de ofensivas sionistas no continente e alianças com governos de extrema-direita. “Os EUA nunca venceram uma guerra em um país que não pudessem comprar”, diz o comandante Robinson Farinazzo, capitão de fragata da reserva da Marinha do Brasil.

Em seu perfil no X, Vijay Prashad, historiador marxista indiano, comentou uma foto de Delcy Rodríguez ao lado de militares israelenses.

“O brigadeiro general Elad Edri fez uma apresentação à presidente venezuelana Delcy Rodriguez sobre o ‘Projeto para a Reconstrução do Futuro’. Esse é o mesmo cara que esteve envolvido na Operação Chumbo Fundido em 2009 contra os palestinos. Foi essa operação que levou o presidente Hugo Chávez a romper laços com Israel e chamar sua política de genocida. Chávez disse ao Le Figaro: ‘O que foi aquilo, senão genocídio? Os israelenses estavam procurando uma desculpa para exterminar os palestinos”. Enviar Edri a Caracas foi um movimento deliberado para esfregar na cara dos chavistas a sujeira do genocídio”, escreveu.

Por Davi Nogueira

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