Os EUA planejam realizar uma operação em grande escala em Caracas para eliminar a resistência venezuelana e a liderança da Paróquia 23 de Enero, de acordo com os relatos de Juan Contreras, principal porta-voz do Coordenador Simón Bolívar, movimento político comunitário associado ao ex-presidente Hugo Chávez, ao Drop Site News, em uma reportagem publicada em 26 de agosto.
Segundo o portal, a Paróquia 23 de Enero, que está próxima ao Palácio Miraflores e a postos militares importantes, serve desde 1998 como reduto ideológico do chavismo, carregando um legado de luta popular após a queda da ditadura de Pérez Jiménez em 1958. O local também passou por movimentos de resistência armada entre 1960 e 1980 contra a repressão policial e o neoliberalismo. Atualmente, a paróquia abriga diversas organizações, incluindo as comunas.
Segundo Contreras, organizador político e líder paroquial que atuou como deputado na Assembleia Nacional entre 2010 e 2015, a informação teria chegado ao Coordenador Simón Bolívar “diretamente por meio de uma fonte interna próxima a autoridades patrióticas”, por sua vez, ligadas à Polícia Nacional Bolivariana (PNB) da Venezuela.
Em um comunicado em 3 de junho, o Coordenador alertou que a Administração de Repressão às Drogas dos EUA (DEA) prepara uma suposta operação conjunta com setores da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) para criminalizar organizações sociais ao ligá-las ao tráfico de drogas. Segundo Contreras, a DEA opera a partir de centros de comando em Flores de Catia, área contígua ao 23 de Enero, e pretende reproduzir a mesma narrativa usada no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores para desmontar a organização comunitária.
“Eles querem atingir os pilares da Revolução Bolivariana: os conselhos comunais, as comunas, os movimentos sociais e organizações históricas como nosso Coordenador Simón Bolívar e outras forças que atuam neste território”, disse Contreras.
Questionados pelo Drop Site News, porém, nem o Departamento de Estado norte-americano nem a DEA se pronunciaram sobre o assunto.
De acordo com Oswaldo Rivero, um comunicador popular consultado pelo portal, as forças de segurança venezuelanas que fariam parte do plano ainda incluem oficiais ou setores originários da Quarta República do país, entre 1958 e 1998, período em que líderes populares da Paróquia 23 de Enero foram presos e torturados. O próprio Rivero foi preso político nessa época.
“Muitos desses torturadores, aqueles que nos perseguiram naquela época, permanecem nas forças de segurança do Estado; eles permanecem dentro das agências de inteligência”, disse ao Drop Site News.
Segundo Contreras, o governo do presidente interino Delcy Rodríguez tem conhecimento das preocupações públicas do Coordenador sobre a segurança da comunidade e teria recentemente enviado um alto representante político “que se comprometeu formalmente a investigar a situação a fundo”.
Ele classificou o alerta como parte de uma “guerra cognitiva” dos Estados Unidos para incutir medo e desmobilizar a base chavista, além de tentar criar atritos entre o governo e suas bases sociais.
Por sua vez, o Coordenador e outros coletivos reforçaram a vigilância comunitária para monitorar movimentos policiais nos pontos de entrada da paróquia. Assembleias regulares estão sendo realizadas para proteger rádios comunitárias, sopas populares, centros culturais e sedes organizacionais, de acordo com os relatos.
Críticas ao governo de Delcy Rodríguez
O governo Rodríguez tem enfrentado críticas da base chavista por sua conformidade com Washington, cooperação militar e fluxo de autoridades dos Estados Unidos e de Israel no país. Em agosto, uma delegação do governo iniciou negociações com o antigo Parlamento de maioria opositora, reconhecido por Washington.
A maioria das organizações de base vê o período como estratégia necessária para ganhar tempo enquanto o chavismo se reagrupa.
“A principal contradição hoje está entre a liderança institucional, que busca caminhos para a coexistência e negociação com o poder ocupante, e uma comunidade de base que ressente a perda de soberania e a entrega de recursos estratégicos, e busca formas autônomas de reorganizar a resistência popular”, afirmou Contreras ao Drop Site News.
Enquanto isso, Maduro e Cilia Flores, presos em Nova York, aguardam o julgamento marcado para 1º de junho de 2027.
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
