O nome disso é assassinato: PMs de Tarcísio matam jovem rendido

O nome disso é assassinato: PMs de Tarcísio matam jovem rendido

Novos vídeos de câmeras corporais mostram os policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima atirando contra Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, quando ele estava rendido e com as mãos visíveis, em uma operação em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. Os dois PMs foram absolvidos pelo Tribunal do Júri no fim de julho, e a família do jovem recorreu da decisão.

As gravações obtidas pelo G1 registram os quatro homens que estavam no quarto se rendendo após a entrada dos agentes. Igor mantém as mãos sobre a cabeça e responde que não está armado quando um policial pergunta sobre antecedentes criminais e armas. Renato ordena que ele se levante e dispara; em seguida, Robson também atira.

As imagens não mostram arma com Igor nem com os outros três abordados. Depois dos tiros, os policiais dizem: “Tava armado, caralho. Tava armado” e efetuam outro disparo contra uma parede, enquanto repetem ordens para que os homens soltem uma arma. As quatro câmeras usadas na ação não registraram a apreensão de armamento até o fim das filmagens.

Um segundo ângulo mostra Igor atingido duas vezes, ainda com as mãos à mostra. As imagens também captaram os agentes falando baixo entre si em ao menos três momentos depois dos disparos, embora estivessem apenas entre colegas.

Se tiver estômago assista ao vídeo

PM admite que disparos não tiveram justificativa

O coronel Emerson Massera, chefe de comunicação da Polícia Militar, disse que os policiais não sabiam que as câmeras gravavam. Segundo ele, uma das câmeras foi acionada manualmente e ativou as demais por conexão Bluetooth, dentro de um raio de até 20 metros. “A ação começou completamente legítima. (…) Num determinado momento, esse homem já estava rendido quando os policiais efetivaram os disparos, sem nada que os justificasse”, afirmou.

Após a ocorrência, um superior perguntou aos PMs como a abordagem havia acontecido. Os agentes responderam que os suspeitos estariam “ciscando” atrás da cama e que teriam visto “um cabo de madeira” na mão de um deles. As imagens, porém, mostram os homens com as mãos visíveis no instante em que Igor foi baleado.

O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa apontou que Igor foi vítima de execução. Renato e Robson, integrantes da Rocam do 16º Batalhão da Polícia Militar, respondiam como executores, enquanto Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus respondem como colaboradores; o processo dos dois últimos foi separado e ainda não tem data de julgamento.

Os advogados Gabriela Amoras Silva, Jonatha Carvalho Matos e Wilson Zaska, que representam a família de Igor como assistentes de acusação, afirmaram que a absolvição contrariou as provas do processo. “Foram apresentadas provas que demonstram que Igor foi morto quando já estava rendido”, disseram, ao informar que pediram ao Tribunal de Justiça um novo julgamento pelo júri.

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