André Mendonça foi para o tudo ou nada contra Alexandre de Moraes. O ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro colocou em circulação conteúdo radiativo contra o colega de tribunal e escancarou que está em campanha pelo Zero Um.
Mendonça acionou a Polícia Federal para reunir tudo o que pudesse atingir sua nêmesis. Fez isso de ofício. Obteve as mensagens, assistiu o conteúdo chegar à mídia amiga e depois abriu o sigilo.
Foi um relatório encomendado. Mendonça atropelou ritos, ignorou processos e chutou o balde. O 7 de setembro está aí. O primeiro turno está a cinquenta dias.
Um ministro do Supremo ainda não é um profeta, apesar da adulação eventual de seus fieis. A coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, conta que ministros do STF reconhecem que Mendonça não deveria encobrir eventuais irregularidades de Moraes. Um deles, contudo, classificou como “altamente questionáveis” justamente o método e o momento.
Nem Sergio Moro foi tão ousado quanto Mendonça nessa disposição de interferir no ambiente eleitoral. Talvez por conta de um certo furor evangélico, Mendonça tem mais urgência.
Se Flávio se eleger, ele se torna o homem mais poderoso do Brasil. Pelo menos quatro indicações ao Supremo passarão por suas mãos. Sujo e malvado, o Zero Um ficará devendo para o irmão André por todo o sempre.
Se Flávio se lascar, Mendonça afunda junto. E vai acabar queimado precocemente na mesma fogueira das vaidades que consumiu o ex-chefão da Lava Jato.
Por Kiko Nogueira
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