O caso ganhou repercussão em 11 de outubro de 2026, quando o canal oficial do Partido Liberal (PL) no WhatsApp divulgou uma montagem do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro que chamou atenção por sua estética. Na publicação de quinta-feira, 8 de outubro, o rosto do presidenciável apareceu em preto e branco sobre um fundo marcado por repetidas inscrições.
A montagem exibia um close no rosto de Flávio Bolsonaro, com expressão séria, e uma moldura geométrica discreta, que remetia ao estilo austero de cartazes de propaganda de massa do início do século XX. No fundo da peça, em letras maiúsculas e no mesmo estilo tipográfico, lia-se a frase “Tropa do Flávio” em uma repetição padronizada, criando uma sensação de uniformidade visual.
Flávio Mussolini ou Benito Bolsonaro?
O design recordou diretamente uma peça utilizada em 1934 pelo ditador italiano Benito Mussolini, exibida na fachada do Palazzo Braschi, em Roma. Na ocasião, a foto de Mussolini era posicionada no centro de um mural com a palavra italiana “Sì” — que em português significa “sim” — repetida em torno da figura para incentivar a aprovação de um plebiscito.
A propaganda estava relacionada ao plebiscito realizado naquele ano, quando os italianos foram convocados a aprovar ou rejeitar uma lista única de candidatos previamente selecionados pelo regime. A votação ocorreu em um contexto de repressão política e ausência de competição eleitoral democrática.
A imagem buscava associar a figura de Mussolini à aprovação popular do regime. A fotografia se tornou um dos registros mais conhecidos da propaganda política produzida durante a ditadura italiana.
Esse plebiscito de 1934, promovido pelo regime fascista na Itália, oferecia aos cidadãos apenas a escolha de concordar ou recusar uma lista de nomes previamente selecionados pelo próprio governo de Mussolini. O processo era amplamente controlado, sem espaço para uma campanha livre ou oposição efetiva, e visava legitimar o poder do ditador.
Em nota oficial, o PL informou que a publicação foi feita pelo Partido Liberal Jovem (PLJ) e baseada em “peças gráficas da antiguidade”, sem qualquer intenção de remeter ao fascismo. O partido afirmou ter retirado o material do ar, pediu desculpas pelo equívoco e se dispôs a esclarecer a coincidência de elementos visuais. A legenda reforçou que não há qualquer referência deliberada à imagem do ditador italiano.
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