Mui amigos: PL tentou comprar perfis bolsonaristas para atacar aliados

Mui amigos: PL tentou comprar perfis bolsonaristas para atacar aliados

Perfis bolsonaristas afirmaram ter recebido ofertas de pagamento para atacar nas redes sociais apoiadores de alas rivais do PL. Os relatos citam uma articulação interna para bloquear, silenciar e retirar visibilidade de contas ligadas a adversários dentro do partido.

As denúncias surgiram em uma transmissão da Space Arena, fórum no X organizado pelo bolsonarista Rafael Cavalcanti. Na live de 25 de agosto, participantes discutiram uma lista com 50 perfis que estariam na mira de grupos rivais da legenda; a transmissão reuniu 58 usuários entre entradas e saídas.

À Folha, um dos participantes perguntou se havia uma lista de nomes acompanhada de oferta para “cancelar, bloquear e não dar voz” aos alvos. Outro confirmou que recebeu a proposta, disse que o pagamento seria de R$ 100 por nome e afirmou: “Não me vendi”.

O mesmo usuário declarou que recebia dinheiro fora das redes para apoiar pré-candidatos do PL durante a pré-campanha, sem revelar quais eram os nomes. Ele diferenciou essa atividade da oferta relatada para promover ataques virtuais contra outros apoiadores da direita.

Relatos citam Eduardo Bolsonaro e disputa com Nikolas Ferreira

Nas mensagens mencionadas pelos participantes, as orientações incluíam o uso de bots e ações coordenadas de bloqueio contra perfis rivais. Um dos usuários atribuiu parte dessas instruções ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que negou conhecer o episódio em resposta enviada por seu aliado Paulo Figueiredo.

Publicações posteriores à live voltaram a associar as ações a Eduardo Bolsonaro e apontaram como alvos apoiadores do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Eduardo havia criticado publicamente Nikolas por considerar insuficiente o engajamento do parlamentar na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O conflito se intensificou porque Nikolas mencionou Flávio em apenas dez dos 544 posts que publicou no X durante cerca de quatro meses da pré-campanha. Aliados de Eduardo acusaram o deputado mineiro de evitar a associação com o senador para ampliar o próprio protagonismo, enquanto o grupo de Nikolas disse que ele priorizava críticas ao presidente Lula (PT) e pautas conservadoras.

Um dos usuários que se disse incluído na lista de 50 perfis questionou se a perseguição virtual poderia envolver verba partidária e cobrou explicações de Flávio Bolsonaro e do PL. As contas citadas estão ativas desde ao menos 2021; a direção nacional do partido e a campanha de Flávio não responderam aos contatos, e Rafael Cavalcanti não foi localizado.

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