Sorriam, somos a liderança mundial antifascismo
(FILES) (FILES) Michelle Bolsonaro (R) speaks as her husband Brazil's former President Jair Bolsonaro (L) and his sons Carlos (2-L), Flavio (C) and Renan listen during a rally at Paulista Avenue in Sao Paulo, Brazil, on April 6, 2025. Defeated right-wing presidential candidate Flavio Bolsonaro was on his way to Ecuador after fleeing Brazil, Argentina's government said on October 28, 2026. Bolsonaro entered Argentina the night before before boarding a flight to Ecuador, the country's National Directorate of Migration said on X. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP)

Sorriam, somos a liderança mundial antifascismo

Não tardará e o bolsonarismo será enquadrado como crime e qualquer alusão a esse período nefasto terminará em cadeia

Acreditei que venceríamos de virada quando estava na estrada, viajando para votar. No meio da Rio-Santos, de Ubatuba até Caraguatatuba, surge uma carreata quilométrica para o Lula,  com bandeiras, adesivos e todos fazendo o “L”. Participei buzinando, ganhei montes de adesivos e nunca me senti tão feliz em um congestionamento.

Antes de perder, os bolsonaristas  já estavam furiosos, tivemos vários relatos de agressões e assassinatos, eles queriam que não fossemos votar, nos ferindo e nos matando. Mas não contavam com a legião de idosos que saiu de casa para salvar nossa democracia. Eu mesma levei uma senhora de 84 anos, recém-curada de uma doença grave, que não votava havia 10 anos, mas foi lá, com toda sua dificuldade, parando para respirar, com passos lentos e ajuda para locomoção.

Esses idosos eram os jovens do golpe de 1964 e que viram amigos, familiares e políticos desaparecendo, sendo torturados.  E quem cai nessa de que vivemos uma ditadura ou não sabe nada de história ou é mau-caráter.

Essa eleição ficará na história mundial. Somos exemplo de luta antifascista, estão fazendo o “L” no mundo todo e dizendo que ajudamos a salvar o planeta. Também vimos o nascimento de um líder: André Janones, que formou um exército digital, que transformou pacifistas em soldados e que já foi chamado para colaborar nas eleições espanholas, que se aproximam.

Também vamos ajudar os Estados Unidos a derrotar o trumpismo. A fuga de Flávio Bolsonaro (antes do que eu imaginava) com a ajuda de Trump está sendo explorada ao máximo pelos democratas para a eleição do dia 3 de novembro, quando votam para senadores e deputados.

Assim como a direita se uniu com a esquerda daqui para derrotar o fascismo, espero que os republicanos de bom caráter de lá também façam o mesmo, mudem o voto, salvem a democracia e consigam a maioria democrática no Parlamento. Estão cobrando uma resposta sobre o presidente do seu país apoiar e ajudar na fuga de um político cheio de processos por corrupção, lavagem de dinheiro e relação com crime organizado.

Mas vencida essa batalha já temos outras grandes pela frente. Mal comemorei a vitória com churrasco e karaokê no Espaço Pansofia, em Santos, cantando aliviada depois de semanas de tensão e insônia, que no dia seguinte já vieram as denúncias de incêndios criminosos na Amazônia e atentados contra os povos indígenas.

O nosso povo luta há 526 anos para salvar nossas terras e animais e resistem a tentativas consecutivas de extermínio.  Eles, que viajaram por mais de um dia para conseguir votar, eles que estão aqui antes de nós e que têm direito a toda essa terra. Se perdendo já fizeram isso, imaginem se ganhassem.

Agora, é a hora desse exército democrático lutar pelos indígenas. E o movimento nas redes sociais em defesa dos povos originários já deu resultado: o Governo Federal vai atuar durante 90 dias em aldeias indígenas enquanto a Polícia Federal está investigando as ameaças contra os Guarani Kaiowá. Entre as denúncias está o envenenamento da água. E nosso presidente Lula já mandou ministros acionarem a Polícia Federal para prender empresários do Mato Grosso que envenenaram a água que abastece aldeias indígenas onde o PT teve mais de 80% dos votos.

Ainda temos a onda de boicotes aos comércios de esquerda, estão colocando estrelas vermelhas para que não comprem. Fizeram exatamente igual nos comércios de judeus na Alemanha nazista. Também estão demitindo funcionários que fizeram campanha para o Lula.

Por isso, acredito que não tardará e o bolsonarismo será enquadrado como crime e qualquer alusão a esse período nefasto terminará em cadeia. Quem votou em Flávio Bolsonaro tem sangue nas mãos e se orgulha disso.

Mais famílias estão brigando porque a seita não aceita a derrota, eles realmente acreditam que Flávio Bolsonaro fugiu porque é perseguido e não porque é um criminoso. Mas é isso, o bom soldado nunca baixa a guarda e iremos para as ruas quantas vezes forem necessárias.

Obrigada a todas as pessoas que estiveram nessa trincheira, aqui e em outros países, aos artistas internacionais, com milhões de fãs que também fizeram o “L”. O Brasil é nosso e o mundo também.

Por Adriana Mendes

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