Uma investigação revelou relatos de criadoras de conteúdo do OnlyFans que afirmam ter sofrido ameaças, controle de contas e retenção de ganhos por parte de gestores que prometiam aumentar seus rendimentos na plataforma. Um dos casos citados é o de Rebecca, de 29 anos, do sul do País de Gales. Ela contou no documentário “OnlyFans: Por Dentro da Máquina”, da BBC Three, que procurou uma agência após receber promessas de ampliar sua receita. Com informações da BBC.
Segundo Rebecca, os empresários foram “adoráveis no começo”, mas passaram a controlar sua rotina, fazer comentários sobre sua aparência e tentar limitar sua vida social. A criadora afirma que decidiu alterar os dados de acesso da conta por medo de perder o controle do próprio perfil. Depois disso, disse ter recebido mensagens abusivas, incluindo uma ameaça direta: “Vou acabar com você e com sua filha”.
Rebecca também relatou que um tijolo foi arremessado contra a janela de sua casa e que, semanas depois, dois homens mascarados foram ao local. Segundo ela, um deles entrou na residência, a agrediu e a jogou pela escada. “Um [deles] estava em cima de mim, me estrangulando, enquanto eu tentava alcançar o telefone para ligar para alguém porque achei que aquele era o fim. Depois que mostraram o que queriam mostrar, pararam e foram embora”, afirmou.
Foram encontradas orientações sobre recrutamento de criadores, tomada de controle de contas e formas de lucrar com perfis alheios, inclusive com ameaça de violência. Um usuário chamou a prática de “método cafetão”.
Contratos, senhas e pagamentos entram no alvo da investigação
Contratos analisados indicam que gestores de contas, conhecidos como OFMs, costumam ficar com 50% da receita dos criadores. Em alguns casos, os documentos preveem retenção de até 70% dos ganhos. Em troca, esses agentes prometem atrair assinantes e administrar a presença dos criadores no OnlyFans, plataforma que reúne mais de 4,6 milhões de perfis no mundo e retém 20% da receita.
Criadores relataram que gestores acessaram contas, omitiram valores recebidos, alteraram senhas ou trocaram dados bancários. Em uma conversa encontrada no Telegram, um usuário escreveu: “Crie um e-mail e uma senha para o [OnlyFans] dela. Assim, ela não consegue entrar”.
A ex-criadora de conteúdo adulto Leanne, de 33 anos, disse ter assinado um contrato que dava ao gestor acesso à conta e direito a 50% dos ganhos. Ela relatou ter sofrido pressão para produzir vídeo sexualmente explícito e afirmou que, depois, descobriu que o conteúdo havia sido vendido por valor inferior ao autorizado.
O OnlyFans afirmou que “a acusação de que a empresa ‘fecha os olhos’ [para esses problemas] é infundada”. Um porta-voz disse que a companhia leva a segurança dos usuários “extremamente a sério”, investe em medidas de proteção e cumpre a Lei de Segurança Online do Reino Unido. A empresa também declarou que não tem vínculo com agências externas: “A relação do OnlyFans é com seus criadores de conteúdo e fãs. Não temos vínculo nem endossamos terceiros, incluindo agências de gestão”.
Eleanor Lyons, comissária independente contra a escravidão moderna do Reino Unido, afirmou que o caso de Rebecca apresenta sinais de exploração, como controle, coerção, pressão financeira e dificuldade de rompimento. O Ofcom, órgão regulador da segurança online no Reino Unido, classificou os relatos como “profundamente preocupantes” e disse que plataformas reguladas devem avaliar o risco de seus serviços facilitarem crimes. O órgão afirmou, porém, que delitos cometidos inteiramente fora do ambiente digital não são abrangidos pela Lei de Segurança Online.
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