Grupo de resistência do Iêmen advertiu empresas de navegação sobre ataques caso tentem atravessar rota marítima, que se tornou principal no escoamento de petróleo saudita após fechamento de Ormuz
Os houthis, grupo de resistência iemenita apoiado pelo Irã, iniciaram nesta terça-feira (21/07) a implementação do bloqueio naval contra a Arábia Saudita, enviando notificações às companhias de navegação para que não operem na rota do Mar Vermelho. Após o fechamento do Estreito de Ormuz, a rota se tornou estratégica para o comércio de petróleo e derivados sauditas.
Segundo alertas emitidos pelo Humanitarian Operations Coordination Center (HOCC), órgão ligado aos Houthis, embarcações que transportarem cargas para portos sauditas ou tentarem atravessar o estreito de Bab al-Mandeb, com destino ao reino, serão alvos de ataques militares.
O fechamento da rota foi solicitado pelo Irã na semana passada, em meio aos ataques norte-americanos contra a infraestrutura de Teerã. O bloqueio afeta diretamente as exportações da Arábia Saudita. De acordo com a empresa de inteligência marítima Kpler, mais de 3,6 milhões de barris diários de petróleo e derivados vêm sendo exportados pela rota, principalmente para os mercados asiáticos.
Após os Houthis anunciarem o bloqueio, a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen afirmou, em comunicado, que responderia com força às ameaças contra as embarcações em trânsito. A coalizão também começou a implementar medidas de proteção para os navios que atravessam o Estreito de Bab el-Mandeb, uma importante rota de exportação do petróleo saudita após o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.
Turki al-Malki, porta-voz da coalizão, declarou que qualquer ameaça houthi contra as embarcações que transitam pela região será respondida “de forma rápida e firme”. O governo de Riad também condenou o bloqueio e afirmou que adotará todas as medidas necessárias para proteger seus navios, dentro dos limites estabelecidos pelo direito internacional.
Na semana passada, os houthis acusaram Riad de bombardear a pista do Aeroporto Internacional de Sana, após o governo iemenita impedir o pouso de uma aeronave iraniana, com parte da delegação houthi que retornava do funeral do aiatolá Khamenei em Teerã.
Segundo um alto funcionário do governo iemenita, o avião transportava “pessoal e equipamentos militares de uso duplo” provenientes do Irã. Em resposta, os houthis bombardearam o aeroporto de Abha, no sul da Arábia Saudita. Foi o primeiro ataque direto do grupo em território saudita desde 2022.
Após as agressões, o líder do movimento, Abdul Malik al-Houthi, sintetizou: “a verdadeira equação é aeroporto de Sana para aeroporto de Riad, aeroportos para aeroportos, portos para portos e bloqueio para bloqueio”. Ele advertiu que instalações petrolíferas e de energia da Arábia Saudita também passarão a ser alvos de mísseis e drones caso o reino amplie sua participação militar no conflito.
Desde 2014, os houthis controlam Sana, capital do Iemen, e grande parte do norte do país. Em 2015, a Arábia Saudita, vizinha do país, liderou uma intervenção militar para restaurar o governo iemenita, desencadeando uma guerra que se estendeu até 2022.
Um ano depois, em retaliação ao genocídio propalado por Israel na Faixa de Gaza, os houtis entraram no enclave atacando Israel e várias embarcações no Mar Vermelho.
Reações
O ministro da Defesa do governo iemenita, Taher al-Uqaili, afirmou que as Forças Armadas do país estão preparadas “no mais alto nível de combate e moral para acabar com o golpe Houthi”. Ele apelou aos moradores da região para que não se lancem em uma “guerra perdida travada por mercenários do regime iraniano.”
O Catar também se pronunciou. Em apoio à Arábia Saudita, o Ministério das Relações Exteriores do Catar convocou a comunidade internacional “a assumir suas responsabilidades na implementação das resoluções relevantes do Conselho de Segurança da ONU, principalmente a Resolução 2216 sobre o Iêmen e a Resolução 2722 sobre os direitos e a liberdade de navegação no Mar Vermelho.”
A chancelaria do Catar acrescentou que “a liberdade de navegação nas vias navegáveis internacionais é um princípio fundamental do direito internacional” e manifestou sua “total solidariedade” com a Arábia Saudita “pelas medidas tomadas para proteger sua segurança e soberania”. As informações são do Ópera Mundi
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