O Brasil viveu o 7 de setembro mais tenso e movimentado de sua história, com manifestações pró e contra Bolsonaro por todo o país.
Bolsonaristas invadiram a esplanada com caminhões e caminhonetes, manifestantes derrubaram a barreira e queriam invadir o STF. Foi preciso o Ministro Luiz Fux ligar para o governador do DF, e exigir reforço policial na proteção do prédio. Ibaneis Rocha (MDB), prudentemente estava no Piauí.
Durante a madrugada, bolsonaristas armados tentaram invadir o acampamento indígena no Eixo Monumental. Os povos estão acampados em frente à Funarte para acompanhar a votação do Marco Temporal.
Também na véspera, o Ministro Alexandre de Moraes determinou prisões e bloqueio de contas dos patrocinadores dos atos pró-Bolsonaro, entre eles o digital influencer Professor Marcinho que em live disse que um empresário pagaria pela cabeça do ministro, Veja Aqui ; do caminhoneiro Zé Trovão, Veja Aqui e buscas na residência do prefeito de Cerro Grande do Sul, RS, Gringo Louco, que foi flagrado com R$ 500 mil em espécie, antes das manifestações. Nem o assessor do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escapou. Jason Miller, foi abordado pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (7), no aeroporto de Brasília, no momento em que iria embarcar para os Estados Unidos. Ele foi levado para depor no inquérito que apura a organização de milícias digitais para atacar as instituições democráticas. Miller é acusado de criar uma rede social conservadora após Trump ter sido banido de outras redes por falas que atentam contra a democracia. O assessor estava no Brasil para participar da Conferência de Ação Política Conservadora (Cpac), evento ultra direitista organizado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O inquérito sobre as milícias digitais foi aberto por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O ex-motorista e ex-assessor da família Bolsonaro, Fabricio Queiróz, denunciado como operador das “rachadinhas” do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), participou das manifestações pró-Bolsonaro no Rio de Janeiro. Vestido de verde-amarelo, Queiróz posou para fotos com admiradores, medindo a popularidade para uma eventual candidatura a deputado estadual em 2022.
Em contrapartida ao passar pela favela do Vidigal os bolsonaristas foram atacados por uma chuva de ovos em protesto.
No Acre
Em Rio Branco, os apoiadores do presidente se encontraram no estacionamento do estádio Arena da Floresta e após cantarem o hino nacional e orarem por Bolsonaro, seguiram em direção ao centro da cidade. A igreja Assembleia de Deus realizou um culto verde-amarelo.
Já em Tarauacá a manifestação foi contra Bolsonaro, Gladson Cameli e a prefeita Neia Sérgio (PDT).
Entre as autoridades a questão ficou dividida. Dois dos três senadores do Acre também estiveram do lado de Bolsonaro. Marcio Bittar (MDB) nas ruas e Mailza Gomes (PP) no culto verde-amarelo promovido pela igreja Assembleia de Deus.
O governador Gladson Cameli (PP) pediu harmonia entre os poderes, mas agradeceu o empenho do presidente Bolsonaro, ou seja acendeu uma vela para cada santo para não ficar mal com ninguém.
O Ministério Público Estadual postou: “Independência é viver na Democracia”.
Discursos
Isolado?
Erro de cálculo
Bolsonaro anunciou na véspera que discursaria para dois milhões de pessoas na avenida Paulista. Segundo a polícia, o número de manifestantes pró-Bolsonaro na avenida Paulista não passou de 125 mil e em Brasília não passou de 50 mil, apesar de terem sido fretados 243 ônibus para levar gente do Brasil todo para as manifestações de Brasília e da Paulista. Comparando a proporção do que foi gasto e mobilizado, ficou abaixo do que os organizadores pretendiam. Segundo o Valor Econômico, o correspondente a apenas 6% do público esperado.
Com um número tão inferior ao esperado, Bolsonaro ameaçou reunir o Conselho da República, que é convocado para entre outras coisas aprovar o Estado de Sitio, mas o palácio colocou panos quentes, rapidamente.
Por tudo o que se viu, é possível arriscar que o bolsonarismo não tem tamanho suficiente para mudar os rumos do país, mas não são pequenos o bastante para serem ignorados. O resultado das manifestações mostra que Bolsonaro consolidou sua posição junto aos eleitores que sempre o apoiaram. Só.
Se houver um ganhador, ele deve se chamar Centrão que ganha quanto mais o presidente sangrar. Entretanto, o 7 de setembro não acabou. No fim da tarde desta terça-feira (07/09), os ministros do STF se reuniram informalmente. Amanhã será um novo dia, e tudo pode acontecer, inclusive, nada. Porém dado o nível de tensão a última opção talvez seja a menos provável.
Assista ao vídeo sobre a repercussão na imprensa internacional
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