Disputa de terras para o agronegócio resulta em assassinatos e espancamentos de indígenas no Rio Grande do Sul

Disputa de terras para o agronegócio resulta em assassinatos e espancamentos de indígenas no Rio Grande do Sul

Disputa de terras para o agronegócio resulta em assassinatos e espancamentos de indígenas no Rio Grande do Sul
Disputa de terras para o agronegócio resulta em assassinatos e espancamentos de indígenas no Rio Grande do Sul

Famílias da Terra Indígena Serrinha (norte do Rio Grande do Sul) foram alvo de episódios de extrema violência neste sábado (16) em função de conflitos causados por processos de arrendamento de terras. As denúncias foram confirmadas pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (INKA), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Articulação dos Povos Indígenas do Sul (Arpinsul) e o Conselho Indigenista Missionário Regional Sul.

Em notas divulgadas neste fim de semana, as instituições relatam intimidações, cárcere privado, tortura, assassinatos e omissão por parte do poder público na região. Apib e Arpinsul afirmam que a prática de arrendamentos observada na região “coopta e corrompe lideranças colocando indígenas contra indígenas em uma política de violência incentivada pelo atual Governo, fomentada pelo agronegócio e que gera mortes”. Leia Aqui

Segundo denúncias feitas através das redes sociais, indígenas informaram que no final da manhã de sábado (16), homens armados cercaram famílias Kaingáng que recentemente foram expulsas da TI- Terra Indígena,  por se recusarem a entregar o território tradicional para exploração do agronegócio na região. Houve ao menos dois assassinatos e vários espancamentos além de ameaças.
Os indígenas foram expulsos arbitrariamente por um suposto cacique autoproclamado liderança há cerca de 14 meses. Esta ação contou com aval de indígenas que apóiam o agronegócio na TI.
O Instituto Kaingáng fundado em 2002, sediado na TI Serrinha, veio a público repudiar todas e quaisquer violências cometidas contra idosos, crianças, mulheres e homens indígenas do povo Kaingáng.
Veja a nota do Comitê Mineiro de Apoio a Causa Indigena- CMACI
“Nós do CMACI, também viemos por meio deste post denunciar e repudiar todos os episódios violentos contra os indígenas que defendem a sua cultura e o território das atividades ilegais de arrendamento para exploração do agronegócio que vem ocorrendo naquela região.
Historicamente sabemos que esta é uma prática bem comum na colonização de nosso território Pindorama (Brasil). Ações violentas que foram aprimoradas, principalmente, pelos torturadores e ditadores na época na Ditadura Militar brasileira (1964-1985). Naquele momento, as pessoas externas à comunidade, aproximavam-se com o intuito de provocar rachas entre os indígenas e a omissão do Estado era central para a deflagração dos conflitos agrários.
Geralmente, essas pessoas não-indígenas que provocam os rachas, eram e são: fazendeiros, madeireiros, garimpeiros, empresários com interesses nas terras que os indígenas estavam/estão. Setores que detém maior poder financeiro, portanto cooptam lideranças, instauram conflitos e, assim, dividem as comunidades.
Estamos num governo aparelhado por militares e é esse o projeto deles: extermínio dos povos indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais.
Estamos há 521 anos resistindo e sobrevivendo a toda essa lógica latifundiária avassaladora. O agronegócio pode até destruir nossos territórios, mas jamais conseguirá desertificar nossos espíritos. Não nos calaremos jamais!”
Foto Brasil de Fato

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