Comissão debate alto lucro dos bancos, em contraste com fechamento de agências

Bancos receberam mais de R$ 1,3 trilhão, o equivalente a 17% do PIB, em contraste com a demissão de mais de 11 mil funcionários

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados promove audiência pública nesta quarta-feira (15) para discutir o desempenho das principais instituições bancárias do País.

O deputado Júlio Cesar (PSD-PI), que propôs a realização do debate, lembrou que em 2020 as cinco maiores instituições bancárias do País lucraram, juntas, mais de R$ 79,3 bilhões. Ele destacou que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN) adotaram medidas visando dar maior liquidez ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) para enfrentar os efeitos da pandemia de Covid-19, com o objetivo de evitar que, diante de um cenário adverso, os bancos retraíssem o crédito, como ocorreu em crises anteriores.

“Foram anunciadas medidas com o potencial de ampliar a liquidez do Sistema Financeiro em R$ 1,274 trilhão, o equivalente a 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, o ‘pacote’ envolveu mais R$ 1,348 trilhão, em razão da redução da alíquota do depósito compulsório e de outras exigibilidades, como provisionamentos adicionais”, informou o deputado.

Contudo, na contramão desses estímulos e dos resultados positivos em 2020, continuou Júlio Cesar, essas instituições fecharam mais de 1.364 agências bancárias em todo país, reduzindo mais de 11 mil postos de trabalho.

“Mesmo em um ano marcado por uma pandemia e a maior queda do PIB brasileiro desde o início da série histórica, os maiores bancos brasileiros mantiveram um alto patamar de lucratividade, em 2020, devido à forte incidência de créditos tributários, queda na despesa de pessoal, redução de agências e ampliação da utilização de canais digitais”, disse o deputado.

Convidados

Foram convidados para debater o assunto:
– o diretor-executivo de Contadoria e Controladoria da Caixa Econômica Federal (CEF), Marcos Brasiliano Rosa;
– a gerente-geral da Unidade Relações com Investidores do Banco do Brasil (BB), Janaína Marques Storti;
– o Head de Relações Governamentais do Itaú Unibanco, Leandro Fonseca Modé;
– o diretor de Relações com o Mercado do Bradesco, Carlos Wagner Firetti; e
– a superintendente-executiva de Relações Institucionais do Santander Brasil, Renata Zaccarelli;
– o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Federação Brasileira de Bancos, Rubens Sardenberg.

 

Fonte: Camara dos Deputados

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