Colombianos elegem neste domingo 29 de maio, seu novo presidente. Disputam a eleição do país latino-americano mais identificado com as posições políticas de Washington, o senador Gustavo Petro (Pacto Histórico), e o líder da coalizão de direita, Equipo por Colombia, Federico Fico Gutiérrez.
Caso nenhum dos candidatos ultrapasse 50% dos votos, será realizado um segundo turno no dia 19 de junho, com a participação dos dois candidatos mais votados.
A poucos dias das eleições, os resultados não são os únicos desconhecidos: as vulnerabilidades do sistema eleitoral, a posição dos Estados Unidos e as ações dos atores narcoparamilitares serão fatores igualmente fundamentais
Observadores internacionais foram impedidos de entrar no país vizinho para acompanhar a eleição presidencial. Terri Mattson foi deportada; Alejandro Rusconi, “desconvidado”; e Paul-Emile Dupret, retido na imigração do aeroporto de Bogotá.
Para o primeiro turno das eleições presidenciais, neste domingo (29), o Ministério da Defesa alertou que há 290 municípios sob risco extremo de episódios de violência e destacou para eles observação especial das forças de segurança. O pleito tem, de acordo com as últimas pesquisas, o esquerdista Gustavo Petro (40% das intenções de voto) como favorito –para o caso de um segundo turno, disputam a outra vaga os direitistas Federico Gutiérrez (27%) e Rodolfo Hernández (20%).
Metade das cidades colombianas estão em estado de alerta por violência de diversos atores, de acordo com a Defensoria do Povo.
Petro foi prefeito de Bogotá e principal expoente da oposição a Álvaro Uribe, líder de direita colombiano. Uribe foi repetidamente acusado de associação ao tráfico de drogas. Com aproximação das eleições na Colômbia, diplomatas e militares dos EUA, temendo um fechamento de suas bases no país, trabalham ativamente contra Petro.
Tráfico de drogas
A economia da droga representou, na última década, entre 2 e 3% do PIB colombiano. Em relação às exportações, soma 5 pontos percentuais ao montante. O enorme capital envolvido nessas transações ilegais é aplicado na concentração da propriedade da terra e no financiamento de campanhas eleitorais. Gera, além disso, uma sustentada informalidade laboral, a institucionalização da lavagem de dinheiro, o contrabando de armas, a privatização da segurança mediante a formação de bandos paramilitares em completa conivência com as forças armadas e de segurança estatais.
Atualmente as áreas ocupadas por plantações são maiores do que aquelas que existiam quando o Plano Colômbia começou em 1999, e a produtividade desses cultivos dobrou nas últimas duas décadas. Os programas promovidos conjuntamente por Washington e os governos colombianos promoveram – sob o pretexto de limitar o cultivo de coca – as pulverizações aéreas. Esses procedimentos motivaram, por sua vez, o abandono dos campos comunitários pelos camponeses atingidos pelos herbicidas. O resultado foi a concentração de terras – após a expulsão de seus habitantes ancestrais – e a redução da biodiversidade pela expansão da monocultura.
A combinação de ambas as medidas – punitividade e empoderamento de setores cúmplices do narcotráfico, associados aos latifundiários – explicam tanto o aumento do narcotráfico como a parceria entre as forças armadas, a embaixada e os cartéis.
O escritor Rafael Moreno-Durán comentou em uma entrevista que, na Colômbia, “a política é tão corrupta que corrompeu até o narcotráfico” Leia Mais

Economia
O aprofundamento das políticas neoliberais na Colômbia nas últimas décadas levou a ambiente de pobreza e desolação, onde facções criminosas se infiltram e disputam espaço.
“A economia neoliberal se fundamenta na defesa de um Estado mínimo no tocante à proteção da sociedade e máximo para garantir o lucro empresarial, com ênfase especial ao setor financeiro e de serviços, ou seja, a setores que nada produzem a não ser lucro para os acionistas. Seu principal pilar é a privatização de toda a estrutura de serviços públicos essenciais à vida das pessoas, como saúde, educação, transporte de massas, energia e abastecimento de água e saneamento. São essenciais porque ninguém consegue viver com dignidade sem acesso a eles”, explica o jornalista Caio Teixeira da rede ComunicaSul.
Kennedy, bairro ao sul de Bogotá, é um dos exemplos do resultado da política neoliberal: ruas cheias de ambulantes, sacolas de mercadorias que se misturam a pequenas tendas em que comerciantes dormem para não perder o ponto de venda quando amanhecer. A disputa pelos melhores locais, por vezes se dá a pauladas ou golpes de faca.
Kennedy é considerado um microcosmo da violência na Colômbia, que aumentou na gestão do atual presidente, Iván Duque. Só no último mês foram encontrados 16 corpos no bairro, em terrenos baldios, lixões e no rio Tunjuelo, que corta a localidade. Segundo a polícia, as mortes estão vinculadas à disputa por espaços do narcotráfico.
Os moradores com medo não saem de casa depois das 18h, porque nessa hora os ambulantes já estão brigando na rua pelos pontos do dia seguinte. E de madrugada há ajustes de contas entre gangues. Muitas vezes acordam com a polícia remexendo lixões ou carregando bolsas em que foram embrulhados cadáveres.

Violência
O Clã do Golfo é uma organização envolvida com narcotráfico que emergiu do paramilitarismo e visa especificamente os partidos políticos, sindicatos e associações de esquerda. É um dos principais perpetradores de assassinatos selectivos de líderes comunitários e sociais, activistas políticos esquerdistas e deslocações forçadas. Em Outubro de 2017, publicou um panfleto intitulado “Plano de Pistola contra a União Patriótica” no qual ameaçou de morte membros deste partido político ou ONGs. O Clã do Golfo recrutou cúmplices ao mais alto nível da hierarquia militar, tais como generais e coronéis
“Esse movimento foi uma ameaça à democracia colombiana e deu mostras de que Duque perdeu parte do controle sobre os grupos criminosos –algo que já tinha ocorrido nas gestões anteriores, de Santos e Uribe”, diz o analista James Bosworth, do Wilson Center. “Se um grupo armado pode causar violência em cem municípios, também pode reprimir eleitores e abalar a legitimidade da democracia.”
Colômbia / Brasil
A Colômbia é membro parceiro da aliança do Atlântico Norte (Otan), apesar de estar localizada no Atlântico Sul e tem mais de 50 bases militares norte-americanas em seu território. Veja Aqui
O Brasil tem uma fronteira de 1.644,2 km com a Colômbia, mais específicamente no estado do Amazonas, maior estado da Amazônia.

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