Gracias, Messi

Gracias, Messi

O que a comunhão de Messi com seu povo ensina a uma Seleção Brasileira cada vez mais “estrangeira”

Já se disse tudo e mais alguma coisa sobre a virada vibrante da Argentina sobre a Inglaterra e o papel do Messi na virada. Eu mesmo já escrevi sobre a relação entre esporte e raízes nacionais. A volta do voo para o Brasil dos jogadores que estavam na Copa com apenas um jogador — todos os outros voltariam imediatamente para seus clubes, onde eles têm suas raízes atuais — confirma essa perda de vínculo com o Brasil.

A seleção argentina, por sua vez, mostrou como ela representa o país, para além da enorme rejeição ao governo atual de Milei.  A nação está por cima disso tudo. Como me disse uma argentina que trabalha aqui no Rio, quando mencionei a importância do jogo de ontem: “Hoje é um dia peronista!”.

Que lindo tudo isso, quando a seleção expressa os sentimentos do povo do seu país!  São jogadores com raízes com o país, expressas na forma como eles fizeram questão de levantar a reivindicação das Malvinas, mesmo sendo proibida qualquer referência ao tema oficialmente. Levantaram a referência às Malvinas, assim como a Maradona, com tudo o que ele representa para o país, inclusive aquele gol genial contra a Inglaterra e o gol com a “mão de Deus” contra a mesma Inglaterra.

Por isso, gracias, Messi, para além das referências políticas ruins do passado. Tudo isso fica para trás, depois de ontem. De como ele, considerado um jogador mais ou menos apático, vibrou ontem com seus companheiros e com toda a sensacional torcida argentina no estádio.

Todos aqui apontam como falta esse vínculo com o Brasil. A começar pela convocação de Ancelotti que, vindo de fora do Brasil, privilegiou os jogadores que estão lá fora, chegando ao absurdo de não conhecer o melhor time atual do Brasil, o Palmeiras, de quem não foi convocado nenhum jogador!

Por isso, gracias, Messi e todo o time argentino! Pelo que nos ensinam das relações entre uma seleção de futebol e o povo e a nação de que são representantes!

Pode ser que, tendo outros quatro anos pela frente, Ancelotti conheça mais o futebol jogado aqui e os craques que jogam aqui, suficientes para termos uma ótima seleção. Não precisamos de nenhum dos que jogam fora, nem precisamos do Neymar.

Gracias, Messi, por recordar-nos de como já tivemos seleções, campeãs ou não, que nos representavam, em que nos reconhecíamos. Não aceitaremos mais uma seleção brasileira de “estrangeiros”, de gente que não tem mais nenhuma raiz nacional, nenhum vínculo com o nosso povo e o nosso país. Por ser um técnico que já se manifestou lulista, ele pode ter facilidade para se dar conta desse problema e tratar de tentar superá-lo.

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