Em obediência aos EUA, Alberto Fernández sequestra avião venezuelano e abre crise na América do Sul

Em obediência aos EUA, Alberto Fernández sequestra avião venezuelano e abre crise na América do Sul

Um avião cargueiro  da empresa venezuelana Emtrasur, subsidiária da companhia aérea estatal Conviasa,  foi retido em Buenos Aires há dois meses a pedido do Departamento de Justiça dos EUA  por supostamente violar as leis de controle de exportação do país norte-americano. A aeronave, fabricada nos EUA, foi adquirida inicialmente pela empresa iraniana Mahan Air, empresa que segundo as autoridades norte-americanas estaria ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica da Força Iran-Qods, que é classificada como organização terrorista pela Departamento de Estado. Mais tarde foi comprada pela Conviasa.

Os 19 tripulantes, 14 venezuelanos e 5 estrangeiros estão detidos ilegalmente na Argentina.

O governo venezuelano  argumentou que o avião de carga cumpriu “um papel fundamental na vida humanitária da Venezuela” , assim como nos países caribenhos e africanos e  alertou que o que acontecer com a aeronave e sua tripulação será de responsabilidade do governo Fernández .

O presidente venezuelano Nicolás Maduro  expressou seu aborrecimento com o governo de Alberto Fernández da Argentina. Nesta terça-feira (09), a população saiu às ruas em Caracas, em protesto.  Também em Buenos Aires um grupo de manifestantes  protestou nas proximidades da Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada, sede da Presidência argentina, contra a retenção da aeronave e a liberação de sua tripulação.

A indignação do governo venezuelano está aumentando. Na segunda-feira, Maduro afirmou que o avião cargueiro da Emtrasur é um bem que pertence ao seu país e que “ele deu a volta ao mundo prestando serviço humanitário ” . “A doutrina da soberania, da propriedade dos Estados, deve ser respeitada”, ressaltou.

A manifestação faz parte do início de uma ” grande campanha ” de protesto que o governo venezuelano convocou para denunciar “o sequestro” de seus bens no exterior, a imposição de sanções e “perseguição criminal” contra o país , com a qual a Venezuela busca “resgatar o ouro em Londres”.

A Venezuela vem sendo saqueada por países aliados dos EUA. O prejuízo vai muito além do avião retido na Argentina e envolve  ativos estatais como empresas venezuelanas no exterior que foram roubadas, como refinaria Citgo , nos Estados Unidos . empresa na Colômbia e os recursos congelados por anos que estão depositados em bancos internacionais, como o ouro venezuelano que está em poder do Banco da Inglaterra.

Ouro sequestrado pela Inglaterra

31 toneladas de ouro, avaliadas em 1,2  bilhão de dólares que pertencem à Venezuela estão retidos na Inglaterra desde 2019 a pedido do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó e não foram liberados nem com o pedido para usar no combate à pandemia de covid-19. Maduro tinha pedido para levar o Banco de Inglaterra ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por cometer “crimes de extermínio” e “crimes contra a humanidade”.

Guaidó já foi até destituído da presidência da Assembleia Nacional venezuelana, cargo que o conduziu à autoproclamação depois que parte da oposição a Maduro distanciou-se dele. Juan Guaidó foi acusado de corrupção pelo próprio grupo que o apoiava. Mesmo assim, no dia 29 de julho de 2022, uma nova decisão judicial britânica  ,  negou ao Estado venezuelano o acesso a 32 toneladas de ouro que estão retidas no Banco da Inglaterra.

Foto- Gazeta do Povo

 

 

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